A LIBERDADE SE
REINVENTOU E HOJE (RE)ESCREVE
E CONTA SUA PRÓPRIA
HISTÓRIA
Bairro centenário em São
Luís hoje é referência
em Afroturismo de
Experiência e Economia Criativa
Já foi tempo que os
moradores da Liberdade, localizado da região central de São Luís do Maranhão
formado pelo complexo dos bairros da Liberdade, Camboa, Fé em Deus, Floresta,
Formosa, Diamante e Sítio do Meio, precisavam dar o endereço de parentes de outras
regiões para conseguir emprego no centro da cidade. Vítimas da ausência de
políticas públicas do Estado, de toda a violência decorrente disso e do estigma
reforçado pelos cadernos policiais dos jornais ludovicenses por décadas,
conseguiram “dar a volta por cima”. Hoje, reconhecido como o maior Quilombo em
área urbana da América Latina, a seus mais de 160 mil moradores, encontraram na
história e cultura, não só seus maiores orgulhos, como sua maior força e fonte
de renda.
Originário do antigo
Sítio Itamacaca, com seus poços de propriedade de Ana Jansen que controlava a
venda de água em São Luís no século XIX e do posterior Matadouro Modelo
(Municipal) instalado estrategicamente às margens do Rio Anil na primeira
metade do século XX e que só teve as atividades encerradas em 1980. Hoje no
local, que recebeu aterramento, foi construída uma praça ao redor que recebe
eventos culturais e uma escola pública no que restou da construção histórica.
Mas enquanto o Matadouro
operou com gado desembarcado pela ferrovia São Luís-Teresina, atraiu centenas
de pessoas em busca de trabalho, moradia e comida, oriundas principalmente de
comunidades rurais quilombolas da Baixada Maranhense, de Alcântara ou que
desciam pela Campina do Matadouro juntando-se aos antigos moradores, definindo
assim a história da região que completou 108 anos no dia 25 de maio de 2026.
A data, apesar de
polêmica, é resultado de pesquisa documental e da memória de antigos moradores
que serviu de base para a Lei Municipal 6.250 de 2017 de autoria do vereador
César Bombeiro. Vale lembrar que nome atual Liberdade, tenha sido oficializado
por um projeto de lei n. 1.749, de 17 de maio de 1967.
O fato é que a comunidade
é marcada pela permanente luta comunitária e resistência cultural negra. Basta
lembrar da greve de 1951 quando moradores, entre eles Seu Apolônio (Boi de
Apolônio) organizaram barricadas para proteger a comunidade do quebra-quebra
instalado na cidade; a histórica luta do “Movimento de Favelados e Palafitados”
liderada por seu Basílio (mestre da Cultura Popular) e a atual bandeira de luta
pela da melhoria do transporte público coletivo na região.
Não à toa o antigo
“Matadouro”, importante centro de luta, resistência e cultura negra com um
legado histórico cheio de valores, tradições, conhecimentos, realizações e
patrimônios (materiais e imateriais) deixados pelas gerações passadas foi
certificado pela Fundação Cultural Palmares em 13 de novembro de 2019 como o
primeiro quilombo em centro urbano e reconhecido oficialmente como Patrimônio
Cultural do Maranhão em 2025.
Em sua diversidade
cultural, concentra cerca de 200 manifestações e entidades, destacando-se o
Bumba Meu Boi, Tambor de Crioula, Reggae Roots, Cacuriá, Blocos Tradicionais,
Blocos Afros, Samba, Artesanato, Moda, Música, Culinária e Terreiros de Matriz
Africana, gerando trabalho e renda para milhares de pessoas, fortalecendo um
importante setor, chamado hoje de Economia Criativa.
Historicamente
discriminado como uma área periférica e marginalizada, o bairro se reinventou
por meio da força de sua comunidade, tornando-se um bairro referência em
Afroturismo de Experiência que conecta viajantes à cultura, história e
ancestralidade negra. Se no passado, as hortaliças e a carne que abasteciam o
Mercado de São Luís vinham da Liberdade, hoje seus braços e mentes alimentam
sobretudo a alma do nosso povo.
Em sua gente, vive o
orgulho de sua história, que levanta bandeiras sociais e culturais e inspira
novas gerações. Aliás, é um dos poucos bairros no mundo que possui uma
bandeira, que tem como cor predominante o verde do mangue, que é a vegetação
típica entre a terra e o mar da Liberdade, o rio Anil.
Sua gente não parou no
tempo, apesar da dor. Muito pelo contrário, ao reconhecer o legado de antigas
gerações aponta ponta para o futuro e vira referência de como a força da
comunidade pode não só reescrever, como contar uma nova história, onde os
protagonistas são e estão na sua própria gente. Nada mais decolonial e atual.
Marcus Saldanha é escritor, historiador e jornalista.


Caro amigo Marcus Saldanha, as vossas publicações, além de proporcionarem-nos uma deliciosa leitura, trazem registros importantíssimos da história das nossas populações.
ResponderExcluirAbraços.
1. *Vírgulas no "além de"*: Toda expressão intercalada precisa ficar entre vírgulas.
- *Antes*: `...publicações além de proporcionarem-nos...`
- *Depois*: `...publicações, além de proporcionarem-nos,...`
*Observações sobre o resto:*
1. *"Vossas"*: Está correto se você está usando tratamento de 2ª pessoa do plural. Mas hoje é raro. Se você trata o Marcus por "você", o natural seria "suas publicações". Se é tratamento formal antigo/regional, mantenha "vossas".
2. *"Proporcionarem-nos"*: A mesóclise está correta. Ênclise com infinitivo + pronome. Também seria aceito "além de nos proporcionarem" em português do Brasil, mais comum na fala.
3. *"Registros importantíssimos"*: Perfeito.
*Versão mais natural para português do Brasil atual:*
Caro amigo Marcus Saldanha, suas publicações, além de nos proporcionarem uma deliciosa leitura, trazem registros importantíssimos da história das nossas populações.
ResponderExcluirCaro amigo Marcus Saldanha, as vossas publicações, além de proporcionarem-nos uma deliciosa leitura, trazem registros importantíssimos da história das nossas populações.
Abraços.