10 LIVROS Em 2006, 20 anos atrás, portanto, listei em crônica no jornal O estado do Maranhão os livros mais marcantes e essenciais para minha formação literária e humana. Ressaltei que não se tratava de uma lista dos melhores romances, mas sim dos mais significativos para mim. 20 anos depois, embora tenha lido preciosos títulos de lá para cá, a lista permaneceu a mesma com apenas uma alteração. 1 A MARCA DO ZORRO, de Johnston Mc Culley Foi o primeiro livro que me deu a noção de que um dos maiores prazeres da vida poderia estar, também, em um monte de palavras em sequência sem sequer uma ilustração. Antes disso só lia quadrinhos. Lembro que não consegui despregar-me de sua leitura de mais 150 páginas e, mais tarde, o reli mais de uma vez. Devo a ele a introdução nessa coisa de felicidade que é a leitura. 2 ROBINSON CRUZOE, de Daniel Defoe Li na versão para jovens, de Monteiro Lobato — este com deliciosas ilustrações— numa edição capa dura, presente de minha saudosa t...
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OSCAR 2026 Filmes adversos com finais infalíveis Peculiaridades sobre as películas O Agente Secreto - Poucos cineastas brasileiros entendem tão bem quanto Kleber Mendonça Filho que recordar também é um gesto político. Em O Agente Secreto , ele usa a atmosfera da espionagem não para organizar um jogo de pistas convencional, mas para falar de um país treinado a apagar pessoas, histórias e vestígios. Marcelo, vivido por Wagner Moura com tristeza contida e humanidade palpável, é menos o centro de um mistério do que a expressão de uma ferida coletiva. O Recife recriado por Kleber não aparece apenas como cenário: surge como ruína, arquivo e fantasma, um espaço em que a memória resiste ao mesmo tempo em que é ameaçada. O roteiro mistura mito, documento e sensação com inteligência, encontrando humor e afeto sem amenizar o peso histórico que carrega. Quando o cinema São Luiz entra em cena, ele se torna mais do que locação: vira abrigo simbólico para tudo aquilo que a imagem ainda...
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MEIA DÉCADA DE HISTÓRIAS NO AR DA TIMBIRA A chama na aldeia segue acesa para lembrar aquilo que não pode e não deve ser esquecido Perto do fogo, os mais velhos contavam suas histórias que ouviram de seus pais, que por sua vez chegou a eles através de seus avós. E assim, os saberes ancestrais eram majoritariamente transmitidos nas aldeias mundo afora. No século passado, o rádio potencializou a difusão das histórias e o mundo das convergências digitais no século atual elevou a outro patamar as as narrativas midiáticas. Mas sejam nas comunidades tradicionais ou na selva de pedra onde estão concentrados boa parte dos viventes, o mundo muda rapidamente: cada vez mais veloz, mais tecnológico, mais fluido, mais disperso. Hiperconectado digitalmente, mas pulverizado e fragilizado emocionalmente. Por isso, pensar que um programa de rádio dedicado a História, a memória, ao patrimônio material e imaterial, a divulgação científica e cultural sobreviva há 5 anos no rádio formando ...
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A DIVINA COMÉDIA E OS PERCURSOS TORTUOSOS DA CONDIÇÃO HUMANA “ Da nossa vida, em meio da jornada, achei-me numa selva tenebrosa, tendo perdido a verdadeira estrada.” A obra mais famosa de Dante Alighieri foi escrita há mais de 705 anos. Ainda assim, seus versos continuam a impactar gerações de leitores que tiveram contato com a obra mestra de sua criação. A “Divina Comédia”, seu escrito mais sublime, é, ao mesmo tempo, a coroação de seu amor platônico por Beatriz de Folco Portinari (a quem dedicou vários de seus escritos mais conhecidos) e o ápice de uma imaginação que legou ao mundo um poema insuperável em linguagem popular. Ressalte-se que a comédia da qual trata Dante é divina, ou seja, não é uma comédia qualquer. Ao contrário da tragédia, possui um final feliz (e no Paraíso, por sinal). Seu sentido, portanto, não é simples e raso. É denso, amplo, complexo, dramático. Afinal, trata-se de um livro cheio de alegorias, simbolismos e significações. Uma obr...