AMOR NO CARNAVAL (Do livro “Contos de Desamor”, Ceres Costa Fernandes) Sábado Gordo, à tardinha. O bloco vinha da Madre Deus e fazia a curva para entrar na praça da Saudade, quando Candinho a vê, de pé, junto ao muro do cemitério, alheia à folia, sozinha e fantasiada de cigana. Abra-se um parêntese para notar esse estranho costume da cidade, fazer do cemitério passagem obrigatória de todos os blocos carnavalescos. Como íamos dizendo, Candinho a vê; chama-lhe a atenção a fantasia, um tanto fora de moda, e o olhar verde perdido e, porque não dizer, também o corpo bonito e os belos cabelos negros. Magnetizado, ele abandona o bloco e aproxima-se. De perto, é ainda mais bonita. Candinho é bem apessoado, e os colegas - com uma ponta de inveja talvez -, sempre o reputaram um “bico doce”. Olham-se nos olhos. Seria um daqueles encontros marcados pelo destino ou efeito da magia do carnaval? O certo é que se dá ent...