GRANDES MEDOS O primeiro grande medo, identificado por volta dos quatro anos, foi o de ser sequestrada por índios. Não, não morei no velho Oeste americano, mas meu pai foi juiz de direito de Barra do Corda, cidade em que era grande o vai-e-vem de índios o tempo inteiro. Não os índios de hoje de calção adidas e havaianas, que sentam às portas dos botequins, bebendo cachaça e jogando dominó, confundidos com os caboclos subnutridos da região, cara de um focinho do outro, mas os orgulhosos, imponentes, emplumados e pintados, ou até alguns, entre os aculturados mais importantes, de terno de riscado e pés descalços. Visitavam meu pai, vestidos(?) a caráter, e eu me escondia. Olhava arregalado e pensava, se eles sequestraram a “infeliz Perpetinha”, por que não a mim? De volta a São Luís, livre dos índios (ufa!) enfrentei o segundo medo. Esse foi terrífico! O medo do Diabo. Aquele de rabo e chifre, pés-de-cabra, peludo e soltando fogo pela boca, medieval, com...