LEITO QUATRO se vai mais um dia entre muitos que pensei viver melhor olhares como se esperança fosse um entulho de lamentações acelera meus pulmões ginsberg tece comentários entre a luva indesejada e o prato de comida que chega como hospitalidade aquele antro de desespero e chagas destila em meu caos inconformidades com o divino que insiste em me reter sem qualquer motivo na verdade queria estar em um aeroplano sobrevoando as praias de humberto de campos ou conversando com uns amigos na porta do bar do adalberto às vezes yeats faz me lembrar da samsara que é um copo de leite gelado após a bebedeira flanando pela avenida melo e povoas agarrado nas arrepiadas ancas de uma morena observo o marasmo da calcinha da mulher que ri ao lado naquele bar entre estrelas descontinuadas todos os meus provérbios de existir me negam tropeço mais uma vez na mesmice de acreditar em corações complacentes hainoã quando me chama de pai caem meus hemisférios sobre a baía de são marc...
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DODÔ E AS ELEIÇÕES Já estava com saudades destes dias felizes da propaganda eleitoral para prefeito e vereadores, em que vislumbro uma cidade de sonhos que, de tão perfeita, deu vontade de me mudar para lá. Sim porque a cidade prometida, como a bíblica Canaã, que “jorrava leite e mel”, certamente não é onde moro. Mas não é bom desconfiar de véspera, o candidato eleito – às horas que escrevo, ainda não sei qual é – cumprirá todas as promessas feitas aos ilhéus. Eleições trazem à baila a amiga Dodô (Doralina Gonçalves, quando aqui morava). Muitos querem saber notícias da trêfega maranhense casada com o boa-praça Olaf, um milionário sueco. Dodô acredita fielmente no matrimônio, tanto que casou oito vezes. Encontrei-a em ligeira viagem que fiz ao interior de São Paulo. Foi em Campinas, na eleição passada, ela fazia compras, acompanhada de um sujeito barbudo, chinelão de dedo, camiseta, tipo intelectual alternativo anos 60, um tanto diferente das amizades de Dodô. D...
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A BARONESA DE GRAJAÚ SEGUE VIVA ENTRE NÓS Quando o passado escravocrata insiste em se impor Parece impossível, mas em pleno 2026 ainda há quem negue a História enquanto área de conhecimento e conteste a existência do racismo. Até que episódios, como o que aconteceu ontem entre a patroa e sua empregada grávida escancara o quanto a Baronesa de Grajaú regurgita em nós. Para quem não sabe, Anna Rosa Viana Ribeiro conhecida como a Baronesa de Grajaú foi uma nobre que viveu no século XIX em São Luís. Casada com Carlos Fernando Ribeiro (Barão de Grajaú), médico, político e rico fazendeiro maranhense, foi acusada de maltratar vários escravizados e de torturar e matar duas crianças em 1876: Inocêncio e Jacinto. Mediante a pressão popular e da família das vítimas, acabou processada e presa, mas somente por pouco tempo. Não só foi solta e inocentada, tornou-se primeira dama no Maranhão e entrou para a História como Baronesa por conta do título do marido. Já a mãe das crianças, Gemin...
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BULLYING E CYBERBULLYING DEMANDAM AÇÃO ESTRUTURADA NO AMBIENTE ESCOLAR Maranhão registra alta nos casos e aumento de provas usadas em processos O IBGE entrevistou 118.099 adolescentes que frequentavam 4.167 escolas públicas e privadas de todo o Brasil em 2024, sendo a amostra considerada representativa do universo de estudantes do país. O quadro preocupante sobre a saúde mental dessa população inclui ainda 42,9% dos alunos que responderam que se sentem “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa” e 18,5% que pensam sempre, ou na maioria das vezes, que “a vida não vale a pena ser vivida”. Três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Uma proporção semelhante também revelou que já teve vontad...
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CRÔNICA N°4 DAS PESSOAS E DOS CONTATOS DE TELEFONE O outro, os números, as listas e os fios de telefone Como se salvam os números de telefone? A maior invenção do homem foi o outro. Imagina o entendimento que seja o que não é próprio, não necessariamente contrário mas diferente; exatamente igual, exatamente desigual. Todos os pronomes cabem nas pessoas. Como se salvam os números de telefone? Entendo que diante do mundo e dessas tantas outras, se é mais outra pessoa-comum, e nada além, nada aquém. Nós nos esbarramos pela convenção, nós conhecemos por razoável motivo e nisso somos. E assim surgem os contatos. De telefone. O Outro é alguma coisa a partir do ato de se salvar seu contato telefônico. Confesso que tenho buscado me reduzir a uma importância relativa: a da devida desimportÂncia. O que é um exercício, não nego. Isso justamente porque eu não importe menos, mas por que as pessoas importam igualmente o...
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10 MÚSICAS Não são necessariamente as mais bonitas, porém, as mais marcantes A pedido do jornalista e comunicador Éden — que teve essa feliz ideia — selecionei 10 músicas para compor uma das edições de programa quinzenal de rádio que comanda. Não são necessariamente as músicas mais bonitas, porém as mais marcantes para cada um dos entrevistados. Ei-las 1.Oh, Carol!. Neil Sedaka Os sons dessa música, tocada no alto-falante em Guimarães, na infância, carreando saudades de minha mãe quando passava férias em São Luís, já seriam suficientes para torná-la especial para mim. Mas guardei ainda mais dessa balada rock — com sua batida pulsante característica — a soar muito depois, como um hino ao amor e à juventude. 2.The fool on the hil. Beatles l Essa é a melhor música dos Beatles para mim, o que não é pouco, já que gostava de quase todas dessa banda. É pouco citada pelos especialistas entre as mais perfeitas do grupo (por que não Yesterday, Let it Be, Hey Jude ?...) mas ador...
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NOSSO LEGADO DE RUÍNAS Casarões históricos desmoronam, viram ruínas ou puxadinhos feios para pontos comerciais Maranhão afora e este será nosso legado Ontem, (28) mais um casarão no centro histórico de Alcântara ruiu. No local funciona a agência do Banco do Brasil. Ano passado, o casarão ao lado já havia desabado nesse mesmo período chuvoso. A cada ano, vemos nossa história abandonada desabar, ser tomada pelo mato ou receber reformas que descaracterizam completamente a construção original. Assim não só o passado colonial vai minguando, como a história da arquitetura moderna e de personagens que deixaram um importante legado cultural para o Maranhão vão sendo apagados. Cadê as casas onde moraram Gonçalves Dias e Coelho Neto em Caxias e Dilu Melo em Viana? Odorico Mendes, João Lisboa, Maria Firmina dos Reis, Arthur Azevedo, Aluísio Azevedo, Catulo da Paixão Cearense e Maria Aragão em São Luís? E a casa de Mariana Luz em Itapecuru? Infelizmente ou foram destruídas, viraram...