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A DIVINA COMÉDIA E OS PERCURSOS TORTUOSOS DA CONDIÇÃO HUMANA   “ Da nossa vida, em meio da jornada, achei-me numa selva tenebrosa, tendo perdido a verdadeira estrada.”   A obra mais famosa de Dante Alighieri foi escrita há mais de 705 anos. Ainda assim, seus versos continuam a impactar gerações de leitores que tiveram contato com a obra mestra de sua criação. A “Divina Comédia”, seu escrito mais sublime, é, ao mesmo tempo, a coroação de seu amor platônico por Beatriz de Folco Portinari (a quem dedicou vários de seus escritos mais conhecidos) e o ápice de uma imaginação que legou ao mundo um poema insuperável em linguagem popular. Ressalte-se que a comédia da qual trata Dante é divina, ou seja, não é uma comédia qualquer. Ao contrário da tragédia, possui um final feliz (e no Paraíso, por sinal). Seu sentido, portanto, não é simples e raso. É denso, amplo, complexo, dramático. Afinal, trata-se de um livro cheio de alegorias, simbolismos e significações. Uma obr...
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FEMINICÍDIO NO BRASIL Desafios no enfrentamento da violência contra a mulher   A realidade do feminicídio no Maranhão   O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou recentemente que, no ano de 2025, foram registradas 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, o que representa um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a tipificação da lei do feminicídio, em março de 2015, ao menos 13.703 mulheres já foram assassinadas por sua condição de serem mulheres. Nos últimos cinco anos, houve um crescimento de 14,5% nos registros de feminicídios no país. O portal G1 noticiou, no dia 03/12/2025, que o Maranhão registrou 47 casos de feminicídio no ano de 2025. A Justiça do Maranhão informou que, até junho de 2025, 5.883 julgamentos de casos de feminicídio já haviam sido realizados em todo o estado. Como noticiado acima, os registros de casos de feminicídio no ano de 2025, tanto no Brasil quanto no Maranhão, causam assombro. Mesmo com o endurecimento da lei contra e...
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CARNAVAL DE PASSARELA NO MARANHÃO Quem copia quem?   Há quem afirme detestar o carnaval de passarela de São Luís por ser uma cópia do carnaval carioca. Mas será? Vejamos algumas datas para saber se o argumento é válido. A escola de samba mais antiga da capital é a Turma da Mangueira fundada em 25 de dezembro de um distante 1928. Por sua vez a homônima carioca, Estação Primeira de Mangueira foi fundada meses depois em 28 de abril de 1929. Opa! Quem copia quem? A escola de samba mais antiga do Brasil anterior a Estácio de Sá não existe mais, era a “Deixa Falar” também de 1928. A Portela por sua vez, embora fundada antes como "Conjunto Carnavalesco de Oswaldo Cruz" (1923), consolidou-se como escola de samba somente no início da década de 1930. Opa! Em São Paulo, a Lavapés é a mais antiga escola de samba, fundada em 9 de fevereiro de 1937, posterior ao Grêmio Recreativo Escola de Samba Rancho Não Posso me Amofiná, fundada em 1934 no bairro do Jurunas em Belém. Então...
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NÃO DEIXEM O FOFÃO MORRER O fofao é a melhor oportunidade de fazermos as pazes com a nossa criança interior e ancestral   Trago a vocês notícias do carnaval maranhense, uma boa e uma ruim. A ruim é que aos poucos o fofão está morrendo. A boa é que há esperança. Principalmente naqueles que brincaram no passado e há 8 anos com o Encontro de Fofões do Maranhão reencontram a infância e ancestralidade com seus filhos. Parecia impossível pensar no fim dos fofões, mas o fato é que foram minguando junto com o carnaval de rua. E não é saudosismo, é fato. Quando cheguei em São Luís nos anos 80, fiquei impressionado com a diversidade do carnaval maranhense no centro de São Luís: blocos de sujo, blocos organizados e tradicionais, tribos de índio, escolas de samba, bandinhas (Banda da Saudade, Cantão), Casinha da Roça, tambor de crioula e fofão, muito fofão. Máscara tradicional de papel machê e cabelo de palha, máscara de pano tipo Bigorrilho, máscara moderna de borracha, vara de galho ...
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O AMOR QUE SOBREVIVEU APENAS NA LEMBRANÇA Cartas, fotografias e um amor interrompido   Guardadas nas gavetas, encontrei registros de um amor contrariado do passado; um amor que ficou registrado em dezenas de cartas escritas à mão, amareladas pelo tempo, e em fotografias desbotadas. Deparei-me com inúmeras cartas apaixonadas. Esse momento tocou a minha alma, trazendo belas lembranças desse amor que foi tragado pelo tempo e não teve um final feliz. Fiquei com o coração partido, rememorando essa história de amor do passado, interrompida pelo tempo. Um amor que não coube no destino e do qual restou apenas a lembrança — um amor que o tempo não apagou. As cartas amareladas e as fotos desbotadas, guardadas nas gavetas, eternizaram esses momentos e são algumas das poucas coisas que ficam. Só as fotos e as cartas resistem aos estragos do tempo. Ao mexer nas fotografias, senti uma nostalgia inexplicável, que jamais se repetirá; por um momento, voltei ao passado em busca desse amor ...
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AMOR NO CARNAVAL   (Do livro “Contos de Desamor”, Ceres Costa Fernandes)       Sábado Gordo, à tardinha. O bloco vinha da Madre Deus e fazia a curva para entrar na praça da Saudade, quando Candinho a vê, de pé, junto ao muro do cemitério, alheia à folia, sozinha e fantasiada de cigana. Abra-se um parêntese para notar esse estranho costume da cidade, fazer do cemitério passagem obrigatória de todos os blocos carnavalescos. Como íamos dizendo, Candinho a vê; chama-lhe a atenção a fantasia, um tanto fora de moda, e o olhar verde perdido e, porque não dizer,  também  o  corpo bonito e  os belos cabelos negros. Magnetizado, ele abandona o bloco e aproxima-se. De perto, é ainda mais bonita.  Candinho é bem apessoado, e os colegas - com uma ponta de inveja talvez -, sempre o reputaram um “bico doce”. Olham-se nos olhos. Seria um daqueles encontros marcados pelo destino ou efeito da magia do carnaval?  O certo é que se dá ent...
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O SAMBA DA MADRE DIVINA   É incorreto dizer que a Madre Deus é o berço do samba e do carnaval maranhense ou mesmo ludovicense? Sim. Até porque a festa embora pagã, consta no calendário religioso católico há séculos, sobre o mote de “Extravasar para se recolher” e isso, muito antes do bairro. A cruz já estava fincada nas sesmarias, nas missões, nas vilas, e nos distritos coloniais com seus ritos, na alma das pessoas que desejavam o tal paraíso celeste. Por outro lado, nos quilombos e nas aldeias, onde não havia carnaval, estavam a roda, os tambores, o batuque, o remelexo: seja para santos, orixás, deuses…onde fosse, como desse, o corpo sempre ousava buscar no espaço sua liberdade, sua essência de movimento, sua conexão e quando necessário, resistência. Então se não foi onde surgiu, na Madre Deus foi onde agregou, reuniu, juntou, agremiou muita gente de deus e do diabo que batucava nas vielas desde antes da Ponta de Santo Amaro, gente que beijou a mão de governantes para ganh...
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TRÊS MÚSICAS DE CARNAVAL MAIS UMA   Quais seriam as três músicas de Carnaval que você citaria como as mais marcantes em sua vida, caro leitor? Não necessariamente as que você acha mais belas, mas aquelas que tocaram a sua sensibilidade a ponto de não serem dissociadas do que o Carnaval tem de melhor e que você preserva em sua memória? Resolvi escolher três 1. Camisa Listrada, de Assis Valente Este samba de Assis Valente, embora com o passar dos anos não tenha ficado intrinsicamente associado ao Carnaval, é o samba que melhor expressa, para mim, em sua letra principalmente, além de em sua melodia irreverente, a alma carnavalesca. O espírito de liberdade, de boemia, de farsa, de escapismo e dissolução das regras nunca foram tão marcantes como no ritmo pulsante e progressivo desta canção, com gírias deliciosamente pueris da época até desaguar num: Sossega Leão! Sossega Leão! Sem dúvida, um monumento à ironia e à liberdade. 2. A Felicidade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes...
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PÃO, CIRCO E A INFÂNCIA ABANDONADA A omissão do Município de São Luís no repasse de recursos ao Fundo da Criança e do Adolescente   Ministério Público do Maranhão (MPMA) detalha ações contra a retenção de verbas para crianças e adolescentes pela Prefeitura   Reunião entre MPMA e Fórum DCA Durante uma plenária extraordinária do Fórum Maranhense de Organizações Não Governamentais em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fórum DCA-MA), realizada nesta terça-feira, 7, o promotor de justiça Márcio Thadeu Silva Marques, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude de São Luís, detalhou as medidas judiciais e extrajudiciais que estão sendo adotadas em resposta à falha persistente da Prefeitura de São Luís em transferir milhões de reais em verbas orçamentárias ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA). A convite do Fórum, o membro do Ministério Público do Maranhão abordou o “prejuízo histórico” superior a R...