MEIA DÉCADA DE HISTÓRIAS NO
AR DA TIMBIRA
A chama na aldeia
segue acesa para lembrar
aquilo que não pode
e não deve ser esquecido
Perto do fogo, os
mais velhos contavam suas histórias que ouviram de seus pais, que por sua vez
chegou a eles através de seus avós. E assim, os saberes ancestrais eram
majoritariamente transmitidos nas aldeias mundo afora.
No século passado, o
rádio potencializou a difusão das histórias e o mundo das convergências
digitais no século atual elevou a outro patamar as as narrativas midiáticas.
Mas sejam nas comunidades tradicionais ou na selva de pedra onde estão
concentrados boa parte dos viventes, o mundo muda rapidamente: cada vez mais
veloz, mais tecnológico, mais fluido, mais disperso. Hiperconectado
digitalmente, mas pulverizado e fragilizado emocionalmente.
Por isso, pensar que
um programa de rádio dedicado a História, a memória, ao patrimônio material e
imaterial, a divulgação científica e cultural sobreviva há 5 anos no rádio
formando e integrando uma aldeia colaborativa de trocas de saberes é algo que
merece ser celebrado. Pode ser o melhor sinal de que a fogueira na aldeia segue
acesa aquecendo e iluminando pessoas, sonhos e ideais.
Se mudaram as formas
de contar e ouvir histórias, o alívio é saber que as narrativas seguem vivas e
inspirando pessoas ligadas e conectadas na aldeia Timbira. O conteúdo pensado,
planejado, elaborado e compartilhado gratuitamente na rádio e tv pública, a mais
antiga do Maranhão, semanalmente cumpre sua função social de informar, mas
também de formar cidadãos em seus valores éticos e democráticos.
Assim é o História
em Debate, único programa ao vivo no rádio brasileiro dedicado a História.
Entre as maiores audiências da mais antiga do Maranhão, o que demonstra o maior
mérito da equipe que coloca o programa semanalmente no ar: compreender que o
interesse dos teleouvintes pode até partir de curiosidades históricas, mas
também pode permanecer mediante um debate histórico, honesto, humanizado e
desmistificado.
Afinal de que vale
saber a vida de escritores, memórias de lugares ou episódios históricos se não
houver ali possibilidade de estabelecer pertencimento? De se enxergar? E isso
não se trata somente de passado, mas sobre escolhas no presente e no futuro.
Quantos de nós não
se reconhecem na dor e sofrimento de um Humberto de Campos, um Maranhão
Sobrinho ou um Gonçalves Dias em suas vidas intensas em glórias e fracassos
profissionais e pessoais? Quantas mulheres não se enxergam nas atitudes caras
de Maria Firmina dos Reis, Mariana Luz e Laura Rosa?
Para respeitar e
valorizar o conhecimento histórico, o ser humano precisa aprender a se
reconhecer no capital histórico construído por milênios. Por que deveríamos
prestar tributos a personalidades em certas efemérides pode não ser a pergunta
mais importante, mas sim o que significa celebrar certas datas e
personalidades?
Reflexão, crítica e
ação consciente. Para que tudo isso aconteça, o conhecimento deve preceder a
ação.
Há meia década, os
maiores historiadores, biógrafos, jornalistas dedicados a temas históricos,
médicos, matemáticos, sociólogos, psicólogos, artistas, pensadores do Maranhão,
do Brasil e do mundo compartilham suas histórias ao redor da grande fogueira que
segue acesa.
A cada manhã fe
sábado, uma nova possibilidade de lembrar aquilo que não pode e não deve ser
esquecido. O “História em Debate” já é mais que um programa de História com
participação ativa de seu público que comenta, sugere, discorda, diverge,
debate. É hoje guardião da memória, patrimônio do povo maranhense.
Perto do fogo com o
História em Debate, a vida também se renova em possibilidades, sonhos e ideais
de um mundo melhor.
Marcus Saldanha é escritor, historiador e jornalista


esse programa é muito bom o apresentador é excelente boas informações, nos enche de conhecimentos, parabéns
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