Textual

CARNAVAL EM SALVADOR

 


CARLA TINHA 39 ANOS, era filha única de uma família de classe média alta, era uma bem-sucedida executiva, na área sentimental não havia colhido muitos frutos, era uma bela mulher, e super inteligente, ganhava bem e nunca sentiu a carência financeira, o mesmo não poderia ser dito com a vida sentimental. Carla foi casada com um também executivo, casamento um pouco arranjado que não a tratava muito bem, não sabemos dizer se o relacionamento era por dinheiro ou por posição social, o certo era que a infeliz mulher nunca teve um casamento como todos desejamos, era uma vida triste não havia carinho, cordialidade, filhos nem pensar todas as vezes que a pobre falava logo vinha uma discussão a respeito, o esposo Cláudio não aceitava filhos só pensava em progredir e um dia quem sabe assumir uma das diretorias da empresa. 

A vida social somente em aniversários da família e festas das empesas sair com amigos e amigas nem pensar, era uma vida realmente muito difícil que com os anos se tornava ainda pior. Até que um dia não aguentando mais sua carência de esposa a falta de diálogo depois de pouca conversa decidiram se separar, Carla logo aceitou sem questionamento sua vida com ou sem aquele marido ficaria na mesa. Após a separação, ela prometera a si própria que homem nunca mais teria em casamento, preferiria a solidão das noite que a solidão dos dias com uma pessoa ao lado. E assim foi feito, passaram-se uns dois anos  até que um belo dia, uma amiga de muito tempo convidou para umas férias, afirmando que nem de trabalho viviam as mulheres, ela propôs uma viagem a Salvador, que fervia no mês de fevereiro em pleno carnaval. Depois de muitas conversas a amiga acabou por convencê-la, logicamente com o apoio dos pais, que sempre afirmavam que ela não poderia viver somente de trabalho, que teria que viajar, conhecer o mundo e outras pessoas e, até quem sabe, encontrar sua cara metade ou sua cara inteira. Viagem acertada, tudo reservado, passagem comprada, foram com destino certo ao futuro incerto.

Salvador estava em festa, o aeroporto lotado, muito chegando para o carnaval, cambistas à solta vendendo abadá para os trios, muitos acima e muito do valor, outros falsos, tudo bem tudo é carnaval, tudo é Brasil. Pegaram um táxi com destino a um big hotel, ficava bem perto do corredor dos trios, se a nossa amiga que há muito tempo estava enferrujada estivesse com sono ou indisposta seria fácil voltar.

Descanso merecido, uma bela refeição e tudo se dirigia para a primeira noite. Abadá vestido, aquele frio na barriga, a expectativa, e lá vamos. Ao chegarem, imaginem o olhar e o pensamento de quem passou uma vida em casa com um marido que nem mesmo falava, ao ver aquela multidão, aquele monte de pessoas de todos os tipos e de todas os lugares. Começou a partida, o trio elétrico a tocar suas músicas, a multidão eletrizada, e, de repente, acredite algo chamou a atenção de Carla, um baiano de seus 25 ano,s moreno, todo sarado, alto, cabelo aparado bem baixo etc, os olhares se cruzaram, o baiano, que não é besta, imediatamente lançou o anzol, e como se dizia lá na minha rua, dali papo. O tempo foi passando, o suor foi descendo, às vezes um abraço protetor no meio da multidão, aquela pegada, ela com pensamentos atrasados, o que fazer, meu Deus, o que eu faço. Vendo isso, a amiga que já se encontrava com um outro  folião, olhando as incertezas da Carla, tratou de comprar uma cerveja bem gelada a pretexto de matar o calor. Ela relutou, porém a pegar a lata bem gelada imediatamente baixou aquela vontade e seja o que Deus quiser.

Assim foi descendo uma, duas, três latinhas, a pobre que tinha esquecido o prazer e os efeitos da cerveja foi se entregando, o nosso lorde ao vê que ela estava a um passo do paraíso, investiu e como falei, dali papo, de repente o nosso amigo naquele empurra-empurra se aproximou mais e como um felino deu o golpe que faltava, sabe aquele abraço em que o corpo todo se encaixa, e o beijo aquele que ela nunca havia dado e nem recebido, o perfume de um homem que há muito ele havia esquecido, foi a gota d’ água. Daí pra frente não teve mais teto nem chão. Era o que ela queria e necessitava de um cara de boa pegada. Assim foi até o fim do dia.

Acabados os três dias, ela não resistiu e assim no final do cortejo do trio, ela o convidou para tomar um café no hotel, imediatamente aceito. E assim foram. Após o café, Carla mais que inibida e sabendo que seria o ultimo dia em Salvador, seria difícil ver novamente aquele baiano que a mostrou tudo que a vida a dois poderia lhe presentear, o convidou para subir. O que vocês acham que ele falou, lógico que aceitou de imediato. Pegaram o elevador e ao chegar na porta do apartamento, o cara a pegou no colo e pacientemente a levou até a cama. Os pensamentos, as comparações entre o ex e o atual a deixaram mais ainda excitada... Sei somente que ela foi envolvida em prazeres que nem ela sabia o que eram.

Acabou o dia, após acordarem, depois de uma manha, tarde e início da noite maravilhoso, ela se dirigiu ao banheiro, tomou um banho e veio a decisão, eu quero esse menino para mim, nem que eu tenha que o bancar às escondidas. Porém, não posso deixar de ter uma pessoa que me fez viver em um dia o que eu nunca teria vivido em meus anos de vida. Ela o chamou para uma conversa, explicou os detalhes, moradia, carro etc. Tudo acertado, a passagem foi enviada e o príncipe chegou, se instalou no apartamento, recebeu uma chave e para que a sua felicidade nunca terminasse, ele foi presenteado com um cartão de crédito para despesas. 

Um detalhe somente foi exigido, ele teria de manter a discrição, nunca em público, somente até pela maneira da tradição da família, já pensou os pais se soubessem, minha filha querida sustentando um marmanjo. Só meus amigos que o marmanjo fez com que a Carla mudasse, agora ela vivia sorrindo, nos dias combinados olhava todas as horas para o relógio e seu pensamento era somente que estava na hora de ter nos seu braços aquele baiano, que a fez viver plenamente a vida.

A carência faz destas coisas!

 

Roberto Franklin escreve aos sábados para o Textual.

Comentários

  1. Muito bom primo.Acontece de tudo no Carnaval de Salvador.

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  2. Muito interessante.
    Prendeu a atenção.
    Portanto, excelente texto conto.
    É também uma realidade.
    A carência faz coisas inexplicáveis!
    Parabéns!

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  3. Gostei muito desse conto rápido, fácil, real e envolvente. Parabéns Roberto!

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