CRÔNICA N°1 DUM SÁBADO DE SOL Contentamento, Bar do Léo e o céu sob o hino do Maranhão Escolher não escolher é submeter-se à escolha: o inegavelmente de Sartre, os bolos e os fatídicos sins e nãos em que se inventou a angústia. É que a liberdade não estará só em se dizer “eu te amo” enquanto o tempo segue ou em se usar um guarda-chuva num dia lindo de sol. A liberdade está na indefinição de nem isso, de nem aquilo. A parada profunda como poça d'água, vazia feito saco de ar ao vento. O livre é poder amar sem ledo, proteger-se da chuva num céu claro, certeza obscena tão íntima, como os sacos do ar… em se procurar para olhar-se e achar-se. Eu gostaria, também, de escrever sobre Anatomia, embora os sentimentos sejam ausentes de planos, inserções, esses referenciais rarefeitos que sejam, sim, permeados em indiferenças no tabuleiro do “só por hoje”. Hoje, apenas; e amanhã, não sei mais saber o que dizer. Escolher. Terrivelmente livre, tal quando eu abro a g...
O poema de Silvana Meneses é de uma delicadeza intensa e silenciosa. Em apenas três versos, ela captura a sensação de impotência diante da vastidão — seja do mar, seja dos sentimentos. A imagem das palavras naufragando no olhar é poderosa: sugere que há emoções tão profundas que nem mesmo a linguagem consegue conter. O olhar, mudo e abissal, torna-se o verdadeiro porto daquilo que não se pode dizer. Trata-se de um pequeno poema que, como uma onda, é breve na forma, mas vasto em significado.
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