O SILÊNCIO DO POETA

 

No interior de uma sala iluminada apenas pela luz suave da tarde, um poeta se encontra imerso em seus pensamentos. O mundo ao seu redor parece ter se silenciado, como se o próprio universo aguardasse suas palavras. O silêncio é tanto um abrigo quanto uma prisão, onde a criação encontra seu espaço, mas também onde as dúvidas e incertezas se multiplicam.

O poeta escuta as batidas do coração, cada uma delas ecoando como versos não escritos. Ele contempla a beleza do instante, mas o medo de não conseguir traduzir a profundidade de suas emoções em palavras o paralisa. O papel em branco à sua frente, um campo de possibilidades, mas também um reflexo de suas inseguranças. O silêncio cobra vida, tornando-se uma ponte entre o que sente e o que pode expressar.

Na ausência de palavras, o poeta observa o mundo a dança das folhas ao vento, o sussurrar das ondas no mar, e o olhar perdido de um desconhecido na rua. Cada elemento se transforma em uma inspiração silenciosa, moldando-se em novas ideias que esperam para emergir. E, assim, o silêncio se torna um aliado, permitindo que a essência da sua arte se revele.

Com o passar do tempo, o poeta percebe que esse silêncio não é apenas uma falta de palavras, mas um espaço de reflexão e entendimento. Nele, se encontra a força para colocar no papel não apenas o que é fácil, mas também o que é difícil e autenticamente humano. E quando finalmente as palavras começam a fluir, elas trazem consigo a riqueza do silêncio que antecedeu a criação, revelando que, às vezes, o silêncio do poeta é o prelúdio da mais bela poesia.

E assim, ao final, o silêncio se transforma em som, e o poeta, em sua jornada solitária, descobre que mesmo nas pausas, há uma profundidade inexplorada, uma musicalidade que ressoa no coração de quem lê. A verdadeira poesia não está apenas nas palavras, mas também no espaço entre elas, onde o silêncio fala mais alto do que qualquer verso já escrito.

 



Roberto Franklin é poeta, escritor e membro

da Academia Ludovicense de Letras

Comentários

  1. Texto maravilhoso. Totalmente poético. Parabéns caro confrade. Abraços

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  2. Crônica linda saída do coração! Parabéns Roberto Costa!

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