Sarau
das Mercês
Reza a lenda que a serpente encantada de São Luís dorme e
cresce nas galerias subterrâneas da capital maranhense. Mas a poesia maranhense
está bem acordada e cresce a olhos vistos.
Eis que nossa ilha, mais do que poética, está retomando, para
nossa felicidade e a dos admiradores da arte em geral, os saraus, catalisadores
e importantes núcleos de convivência artística e social.
São vários os grupos que reúnem poetas, escritores e músicos,
convidando para lançamentos de livros e participação nesses eventos literários
que nos deixam extremamente felizes por tanta efervescência cultural.
A palavra sarau vem do latim serum, que significa “entardecer”
ou “pôr do sol”. Por isso, é costume realizá-los no final da tarde ou à noite,
mirando o crepúsculo e aguardando a chegada da lua com as estrelas para
iluminar ainda mais a poesia.
Os saraus remontam à tradição europeia dos salões literários e
artísticos, onde os intelectuais e amantes da arte se reuniam para debater,
recitar poesia e tocar música. Ao longo dos anos, eles se espalharam pelo
mundo, adaptando-se às diferentes culturas e tradições locais.
São Luís tem vários apelidos que lhe caem muito bem, entre
eles, “Ilha do Amor”, “Cidade dos Azulejos”, “Jamaica Brasileira” e “Atenas
Brasileira”, mostrando sua riqueza e diversidade. Este último, por sua rica
tradição literária e por ser berço de grandes poetas e escritores.
Tenho dado minha contribuição a alguns deles, pelos quais
tenho o maior respeito e admiração, mas quero deixar registrado, em particular,
o Sarau das Mercês, do qual já tive a oportunidade de participar duas vezes.
Este sarau foi idealizado pela poeta e vice-presidente da
Academia Maranhense de Letras, Laura Amélia Damous, que tem nos presenteado com
noites memoráveis desde a sua primeira edição, em novembro de 2023.
Evento este que promove a integração entre poetas conhecidos e
iniciantes, fortalece a arte como expressão da linguagem, da reflexão e do
aprendizado, pois os participantes podem apresentar suas obras, ideias e
pensamentos. Além disso, a confraternização permite o olhar para o outro — tudo
isso acompanhado de boa música, amizades, rodas de conversa, chuva, sem chuva,
para todos os gostos. Por isso, digo: “chuva ou sol/tanto faz/tudo é poesia”.
Este referido sarau é realizado no Convento das Mercês, sede
da Fundação da Memória Republicana Brasileira, espaço belíssimo, com aura
própria e convidativa para esses momentos de grande deleite.
Parabenizo e aplaudo a poeta Laura Amélia e o presidente do
Convento, na pessoa do senhor Kécio da Silva Rabelo, por tamanha sensibilidade
e reconhecimento da necessidade de valorização e divulgação da arte maranhense.
Que o sarau tenha vida longa e nos apresente, em cada edição,
a importância e o poder da poesia no autoconhecimento, na empatia, na
compreensão da realidade e na qualidade de vida.
Silvana Meneses
é
poeta e membro
da Academia Caxiense de Letras

Verdade, Silvana! A efervescência literaria no Maranhão é notória, principalmente com a criação da FALMA, da Amei e com a nova gestão da AML que destrancou as portas da Casa de Antônio Lobo para dar azo a escritores até então invisíveis. A representatividade da mulher também está acontecendo, ainda que paulatinamente. E tu és um exemplo disso: escritora que usa sua poesia, sua performance, toda sua verve literaria para engrandecer a Literatura do Maranhão.
ResponderExcluirVerdade, Silvana! Os saraus são espaços também de irmandade, de acolhimento, de deleite. Esse calor das palavras e dos encontros que nos aquecem. Parabéns pelo texto e pela magnífica poeta que você é.
ResponderExcluirAinda pretendo participar de uma edição do Sarau das Mercês, horas de boa Poesia, Música, confraternização entre amigos queridos como a própria Silvana Meneses e Laura Amélia. Quero ter a alegria de assistir Silvana declamar um poema meu, aí vivo.
ResponderExcluirO texto de Silvana Meneses é um convite sensível e envolvente à celebração da arte maranhense, destacando com entusiasmo a força viva da poesia em São Luís. Com linguagem poética e informativa, ela valoriza a tradição dos saraus, principalmente este "Das Mercês" como espaços de convivência, aprendizado e encantamento, muito bem capitaneado pela poeta Laura Amélia Damous. Sua escrita revela um olhar apaixonado e comprometido com a cultura local, tornando a leitura um verdadeiro abraço à alma artística da cidade.
ResponderExcluirO texto de Silvana Meneses é mais que um relato — é um gesto poético em si. Nele, não apenas se descreve o Sarau das Mercês, mas se encena, com palavras, a atmosfera que o evento proporciona: o entrelaçar de vozes, memórias e afetos que tecem a identidade cultural maranhense. Silvana escreve como quem oferece um lugar à mesa do entardecer, onde a poesia se serve quente e o silêncio escuta com reverência.
ResponderExcluirO Sarau das Mercês é, de fato, um evento inspirador. Viva a iniciativa da Fundação da Memória Republicana Brasileira, liderada por seu presidente, Kécio Rabelo, e da Vice-presidente da Academia Maranhense de Letras, Laura Amélia Damous.
ResponderExcluirAo longo das edições, uma plêiade de poetas tem deixado sua marca indelével.
Como disse Silvana,
"Reza a lenda que a serpente encantada de São Luís dorme e cresce nas galerias subterrâneas da capital maranhense, mas a poesia maranhense está bem acordada e cresce a olhos vistos". É exatamente isso!
Parabéns a todos os envolvidos, e que continuemos a fazer e viver poesia, para além dos Saraus das Mercês e da ilha de São Luís. Meus aplausos! Dilercy Adler