CORAÇÃO FECHADO
Há momentos na vida em que o coração se fecha, como
uma porta que, por medo, dor ou cansaço, decide se trancar para o mundo
exterior. É uma atitude que surge, muitas vezes, como uma necessidade de
proteção, uma forma de sobreviver às feridas que a vida nos impõe. Quando o
coração está fechado, tudo parece mais distante, mais frio, mais difícil de
alcançar. Sentimo-nos como se estivéssemos presos dentro de uma prisão
invisível, onde a esperança e o amor parecem estar fora de alcance.
Essa fechadura emocional, muitas vezes, se forma
lentamente, como uma camada de gelo que cobre o sentimento mais profundo. Cada
mágoa, cada decepção, cada perda vai construindo paredes, reforçando o muro que
nos separa de quem somos realmente ou do que poderíamos ser. É mais fácil se
fechar do que se abrir, mais cômodo proteger-se do que arriscar-se a sentir
novamente a vulnerabilidade que o amor, a amizade e a esperança exigem.
O coração fechado é uma espécie de escudo que usamos
para evitar o sofrimento, mas que também impede a entrada de coisas boas. Ele
nos priva da beleza das emoções genuínas, do calor de uma conexão verdadeira,
do aprendizado que vem com a vulnerabilidade. Quando nos fechamos, deixamos de
perceber o mundo com a intensidade com que poderíamos perceber, deixamos de
amar de forma plena, de sentir o que realmente importa.
No entanto, essa proteção que parece tão necessária
muitas vezes se torna uma prisão. A gente se fecha por medo de se machucar
novamente, mas, ao fazer isso, também se impede de viver experiências que
poderiam transformar nossa alma e nos fazer crescer. O coração fechado é uma
espécie de silêncio forçado, uma ausência de vibração, uma sombra que se
instala no interior, apagando a luz que poderia brilhar com mais força.
E, mesmo assim, há uma esperança silenciosa dentro de
nós de que um dia esse muro possa ruir. Que a coragem de se abrir, aos poucos,
possa devolver a liberdade ao coração. Para isso, é preciso coragem — coragem
de enfrentar a dor do passado, de perdoar, de aceitar que o sofrimento faz
parte do caminho, mas que ele não precisa definir quem somos ou quem podemos
nos tornar.
Abrir o coração não significa expô-lo às intempéries
sem proteção, mas, sim, confiar que, ao se abrir, também se encontra força.
Força para amar, para perdoar, para recomeçar. É um ato de fé na própria
capacidade de se reconstruir, de se reinventar. Porque, no fundo, o coração
fechado é uma armadura temporária, uma defesa que um dia pode se transformar em
uma prisão.
A verdadeira liberdade está em aprender a confiar
novamente, em permitir-se sentir, em permitir-se amar sem medo. E, quando o
coração se abre, mesmo que doa, também há uma beleza indescritível: a
possibilidade de experimentar a vida com toda a sua intensidade, de se conectar
com o outro de forma profunda, de redescobrir a esperança que nunca deixou de
existir, mesmo nos momentos mais difíceis.
Então, que possamos ter coragem de abrir nossos
corações, devagar, com cuidado, com amor-próprio. Que aprendamos a reconhecer
que, muitas vezes, a maior força está na vulnerabilidade e que, ao nos
permitirmos sentir, encontramos o verdadeiro significado de viver.
Roberto
Franklin é poeta, escritor e membro
da Academia Ludovicense de Letras

Bela reflexão, poeta! Wanda Cunha
ResponderExcluirPerfeito! 😍👏🏽
ResponderExcluirUm excelente conteúdo reflexivo amigo poeta ,!
ResponderExcluirComo sempre,excelente amigo!
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