NÃO
DEIXEM O FOFÃO MORRER
O fofao é a melhor
oportunidade de fazermos as pazes
com a nossa criança
interior e ancestral
Trago a vocês notícias do carnaval maranhense, uma boa e uma ruim. A ruim é que aos poucos o fofão está morrendo. A boa é que há esperança. Principalmente naqueles que brincaram no passado e há 8 anos com o Encontro de Fofões do Maranhão reencontram a infância e ancestralidade com seus filhos.
Parecia impossível pensar no fim dos fofões, mas
o fato é que foram minguando junto com o carnaval de rua. E não é saudosismo, é
fato. Quando cheguei em São Luís nos anos 80, fiquei impressionado com a
diversidade do carnaval maranhense no centro de São Luís: blocos de sujo,
blocos organizados e tradicionais, tribos de índio, escolas de samba, bandinhas
(Banda da Saudade, Cantão), Casinha da Roça, tambor de crioula e fofão, muito
fofão.
Máscara tradicional de papel machê e cabelo de
palha, máscara de pano tipo Bigorrilho, máscara moderna de borracha, vara de
galho colhida na rua e boneca para a prenda, luvas. Na falta de guizos, muitas
tampinhas nas pernas. Assim os bandos com dezenas de membros liderados pelos
mais velhos ou mais fortes tomavam as ruas por todo o pré-carnaval, dias e
noites de carnaval e até no lava pratos.
No ano seguinte o fofão curto e surrado era
passado de pai para filho, entre irmãos, entre amigos e se perpetuava no
imaginário dos mais novos apavorados que um dia seriam também fofões.
Coisa muito antiga, que vinha dos bacantes e
falos, do bufão mascarado, do pierrot apaixonado, do clown triste europeu, do
xamã indígena com sua máscara ritualística, do africano em seu rito mascarado
de caça que sobreviviam por séculos na criança maranhense.
Eis que o elo foi enfraquecendo, as famílias
foram se afastando do centro da cidade, das tradições, da cultura popular. Os
jovens foram correndo atrás do trio. Os adultos e idosos, ficaram encastelados
em shoppings, restaurantes e condomínios e as suas crianças descobriram as
multitelas.
Mas o artista inquieto em sua busca pelo futuro,
insatisfeito com a fatídica morte anunciada da tradição resolveu que era hora
de voltar a brincar de fofão nas ruas de São Luís. Uma, duas, três, quatro,
cinco, seis, sete, oito vezes Uimar Junior juntou o bloco na Segunda Gorda de
Carnaval na rua do Passeio com amigos que chamaram amigos, familiares que
trouxeram familiares, saudosos brincantes que arrastaram novos foliões. Também
os ensinou a fazer máscaras artesanais na Galeria Trapiche, convidou centro e
periferia para reavivar o ULALÁ maranhense.




Comentários
Postar um comentário