TRÊS MÚSICAS DE CARNAVAL MAIS UMA
Quais seriam as três músicas de Carnaval que
você citaria como as mais marcantes em sua vida, caro leitor? Não
necessariamente as que você acha mais belas, mas aquelas que tocaram a sua
sensibilidade a ponto de não serem dissociadas do que o Carnaval tem de melhor
e que você preserva em sua memória?
Resolvi escolher três
1. Camisa Listrada, de Assis Valente
Este samba de Assis Valente, embora com o passar
dos anos não tenha ficado intrinsicamente associado ao Carnaval, é o samba que
melhor expressa, para mim, em sua letra principalmente, além de em sua melodia
irreverente, a alma carnavalesca. O espírito de liberdade, de boemia, de farsa,
de escapismo e dissolução das regras nunca foram tão marcantes como no ritmo
pulsante e progressivo desta canção, com gírias deliciosamente pueris da época
até desaguar num: Sossega Leão! Sossega Leão! Sem dúvida, um monumento à ironia
e à liberdade.
2. A Felicidade, de Tom Jobim e Vinícius de
Moraes.
Tristeza não tem fim, Felicidade Sim,
aparentemente é o que menos se coadunaria a uma letra que obrigatoriamente
teria que exaltar a “suposta” alegria do Momo. Mas, quem disse que o Carnaval é
só alegria? O que é tristeza e o que é alegria num período em que se freia o
tempo para que dure 5 dias e pareça uma eternidade? Há de acontecer de tudo e é
por isso que essa belíssima canção não diminui a alegria carnavalesca ao falar
de tristeza de uma felicidade — necessariamente transitória e fugidia — de
forma tão pungente e tão poética “A felicidade é como a pluma que o vento vai
levando pelo ar.”
3. Jardineira.
Jardineira, entre tantas marchas memoráveis e –
eternas –, talvez seja a mais eterna delas em sua vocação carnavalesca, porque
fala indistintamente para adultos, velhos, namorados, trabalhadores, estudantes
e crianças com uma sutileza, uma puerilidade e uma suavidade sem igual. Seus
ingredientes de ritmo, vibração e emoção contagiante só podiam ter paralelo por
escrito em uma camélia que caiu do galho ficou tão triste e depois morreu para
encher o folião de emoções a serem ressuscitadas enquanto houver carnavais e
vidas.
Era para ter sido três mas ficou faltando uma:
Taí (Pra você gostar de mim), de Joubert de
Carvalho.
Essa deliciosa marchinha de carnaval, que quase
ficou para trás, lembra minha mãe, Carmem Miranda, Gal Costa, Carnavais, eu
aprendendo a tocar violão com meu pai e, já adulto, tocando para amigos e
parentes suficientemente bêbados para não se importarem com afinação, cordas
quebradas, etc.
E, ultimamente, lembra minha neta, hoje com 6
anos de idade, pedindo para tocar essa música no celular e, a partir daí,
pulando, dançando e cantando até não poder mais.
Precisa mais? RsRs
José Ewerton Neto é poeta, escritor, membro
da Academia Maranhense de Letras

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