50 ANOS DO “PAI DA MALHADA”

Tradicional Boi de Matraca de São José Ribamar é a síntese

da tradição junina da Ilha de Upaon Açu

 Quem passa pelo Outeiro a esquerda da estrada de Ribamar e avista o antigo cruzeiro de madeira no caminho que dá acesso a Praia de Panaquatira, não tem ideia da história que literalmente, há por trás do tradicional símbolo religioso católico. Ali, aos seus pés, rezadeiras, cantadores, brincantes e a comunidade deram origem, há cinquenta anos a um rito de fé e cultura popular: A fundação oficial do Bumba Meu Boi de São José de Ribamar.

Exatamente ali, batizado de “Cruzeiro dos Cantadores de Bumba Meu Boi de Matraca da Ilha de São Luís” fincado em 23 de junho de 1976 pela Associação Folclórica de Bumba Boi de Matraca de São José de Ribamar criada poucos meses antes, no dia 14 de março, no Grupo Escolar Dr. Paulo Martins Ramos por membros da Associação que fica até hoje ali atrás, em sua maioria pedreiros, professores, pescadores, policiais, marinheiros entre outros filhos de “colonos” da Baixada Oriental vindos por Icatu e apaixonados pela tradição popular que a brincadeira ficou séria. Antes disso, o Boi de Ribamar já havia feito sua primeira aparição no evento de matança do último boi de matraca em 1971, que o “Grupo do Buraco de Tatu), havia feito no Terreiro do Tamarineiro na Rua da Avenida.

Mas foi somente após a instalação do histórico Cruzeiro, que o ritual ancestral acordado pelos fundadores, há cinquenta anos é reafirmado simbolicamente e se renova há cinco décadas. Desde a construção do barracão do boi, fruto do trabalho duro e da fé com as rezas e coro de Maria Dolores Farias Ferreira e José Ribamar Morais Silva, invocando a proteção divina e a benção de Padre Lino, com o primeiro culto em pé, a ladainha de véspera de São João e a apresentação oficial do “Pai da Malhada” em 1976 que a tradição se mantem.

Em 1993 o já reconhecido cantador João Chiador escolheu o Pai da Malhada para se eternizar com toadas como “Nossa Senhora Mãe Aparecida”. O “eterno mestre” ficou por 24 anos no Boi de Ribamar quando faleceu em agosto de 2017 aos 78 anos.

Portanto, o Cruzeiro testemunha a consolidação da história, da força e resistência de mestres, dos brincantes e a contribuição do Bumba Boi de São José de Ribamar para a cultura maranhense mantendo viva a relevância histórica não só do "Pai da Malhada" mas do sotaque da Ilha, da tradição junina e poesia dos cantadores da antiga zona rural de São Luís, integrante do folclore popular e guardiões dos pandeirões, onça, matracas, caboclos de pena, cazumbá e índias da Ilha de Upaon Açu.

 


Marcus Saldanha é escritor, historiador e jornalista

Comentários

  1. Gosto muito do sotaque de matraca, e o de São José de Ribamar é um dos melhores pra mim. Muito bom saber da história linda e rica desse boi que faz parte do nosso folclore. Grata, Marcos.

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