10 MÚSICAS
Não são necessariamente as mais bonitas, porém, as mais marcantes
A pedido do jornalista e
comunicador Éden — que teve essa feliz ideia — selecionei 10 músicas para
compor uma das edições de programa quinzenal de rádio que comanda. Não são
necessariamente as músicas mais bonitas, porém as mais marcantes para cada um
dos entrevistados. Ei-las
1.Oh, Carol!. Neil Sedaka
Os sons dessa música,
tocada no alto-falante em Guimarães, na infância, carreando saudades de minha
mãe quando passava férias em São Luís, já seriam suficientes para torná-la
especial para mim. Mas guardei ainda mais dessa balada rock — com sua batida pulsante
característica — a soar muito depois, como um hino ao amor e à juventude.
2.The fool on the hil.
Beatles l
Essa é a melhor música dos
Beatles para mim, o que não é pouco, já que gostava de quase todas dessa banda.
É pouco citada pelos especialistas entre as mais perfeitas do grupo (por que
não Yesterday, Let it Be, Hey Jude ?...) mas adoro-a. Lembro de duas versões em
especial: a de Zé Ramalho, que achei mediana, e a de Sérgio Mendes – criativa e
insuperável, incluindo os Beatles.
3.O Tema de Lara
Uma canção comovente para
um filme marcante. Tinha realmente de ser perfeita para se conjugar à belíssima
fotografia, à belíssima atriz (Lara, Julie Christie), à bela paisagem, e ao
belo enredo. Mais tarde li o romance, de Boris Pasternak, que deu origem ao
filme. Gostei muito, claro, mas no meu modo de ver perde para o filme. Talvez
porque a leitura não tivesse a música de fundo.
4.Fado Tropical. Chico
Buarque.
Para mim a melhor
composição de Chico Buarque de Holanda, junto com Funeral de um Lavrador. Mas o
fado é melhor, embora até hoje nunca escute essa canção como um fado e, nem
mesmo, uma música de protesto. O fato é que essa música sempre funcionou melhor
para mim como a canção que é. Pura e bela.
5.Cajuína. Caetano Veloso
Nesta bonita canção
Caetano se despe de trejeitos e de artifícios pata tecer uma canção singela,
suave e profunda. Depois soube que ele a compôs para homenagear o amigo poeta
Torquato Neto que se suicidou e, assim, ela ganhou tons nostálgicos de alma
sentida — sutis e perenes
6. Três Apitos. Noel Rosa
A genialidade assombrosa
de Noel Rosa criou um dos mais perfeitos sambas-canções da história da MPB ao
juntar letra e melodia num pedido de socorro à amada, prenhe de ironia.
Considero-a subvalorizada pelos críticos que raramente a incluem no farto
cânone do gênio carioca morto precocemente. Talvez não atinem para a ironia
latente dos versos amorosos do poeta, ausentes de qualquer outra canção no
gênero. Sem recorrer a palavreados intelectualóides a canção descamba em um refrão
que nos atordoa e enternece “Você que atende aos apitos de uma chaminé de barro
por que não atende ao grito tão aflito da buzina do meu carro?” Por quê?
7.Badlands. Bruce
Springsteen
Neste “Bolero de Ravel” do
rock há, também, um grito do subconsciente que se repete indefinidamente na voz
inconfundível do The Boss (apelido de Bruce) e nos acordes da banda, até
atingir seu clímax — sem horror e pavor, mas com anunciado êxtase.
8. O adagio. De Albinoni.
Se fosse possível resumir
ou concentrar todas as músicas clássicas em uma só eu escolheria essa. Ela
remete a todas as emoções que vivi. E as que não vivi.
9. Itamirim. Chico
Saldanha.
Itamirim do inspiradíssimo
compositor “nosso” Chico Saldanha tem o sabor suave das coisas do Maranhão
traduzido em música. Quando principia o batuque de bumba e se escuta a voz do
cantador anunciar: “No mês de Maio...” é como uma intimação para se transportar
para O Maranhão nessa época e curtir a beleza de seu folclore e tantas
‘cositas’ mais. E que doce ultimato!
10. Camisa Listrada. De
Assis Valente.
Um samba que mais do que
qualquer outra canção carnavalesca traduz de forma perfeita, toda a essência do
Carnaval no que este remete ao simbolismo da felicidade desenfreada, como
válvula de escape para as ilusões da vida. Na voz de Carmem Miranda é tudo isso
e alguns tons a mais de brejeirice.
11. Marina. De Dorival
Caymmi
E não ´é que falei demais
e escolhi de menos? Já listei dez e só agora dei pela falta de Marina:
Pois é Marina: Você que é
morena Marina bonita e se pintou. Marina morena bonita me faz um favor:
Aceite minhas desculpas e
entre nessa lista.
José Ewerton Neto é poeta, escritor,
membro
da Academia Maranhense de Letras.

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