BIBLIOTERAPIA: QUANDO A LEITURA SE TORNA CUIDADO EMOCIONAL

      O uso terapêutico da literatura como aliado da saúde mental e do bem-estar psicológico 

O portal UOL, em colaboração com a Viva Bem, publicou, no dia 27/04/2026, uma matéria a respeito de um tema muito interessante: o uso terapêutico da literatura, denominado biblioterapia, e como a leitura pode ajudar na saúde mental.

Para quem ama livros, a ideia talvez não surpreenda: a leitura pode funcionar como cuidado emocional. Mais do que entretenimento ou fonte de conhecimento, o contato com histórias também mobiliza sentimentos, amplia repertórios internos e ajuda a reorganizar pensamentos.

Esse uso terapêutico da literatura tem nome: biblioterapia. O termo reúne as palavras gregas biblion (livro) e therapeía (tratamento) e descreve práticas que utilizam textos literários como ferramenta de bem-estar psicológico.

O tema vem sendo estudado há décadas. Pesquisas acadêmicas brasileiras e internacionais apontam que a leitura pode favorecer a regulação emocional, a empatia, o autoconhecimento e a redução do estresse. A relação entre literatura e psique, inclusive, já despertava interesse em pensadores como Sigmund Freud e Carl Jung.

Quando alguém lê uma história, não acompanha apenas palavras. O cérebro simula experiências, cria imagens mentais, interpreta emoções e se identifica com personagens. Esse processo pode gerar uma espécie de laboratório interno. Ao observar conflitos fictícios, o leitor revisita dilemas reais, reconhece sentimentos próprios e encontra novas formas de compreender a própria vida.

Também há efeito fisiológico. Estudos mostram que poucos minutos de leitura concentrada podem reduzir a tensão e desacelerar a mente, especialmente quando comparados ao consumo fragmentado de telas e notificações constantes. Ou seja, ler pode funcionar como uma pausa cognitiva em um mundo hiperestimulado.

Em rodas de leitura, histórias se transformam em pontes para conversas, memórias e troca de experiências.

O que é biblioterapia na prática?

A biblioterapia pode acontecer de formas diferentes, individuais ou coletivas. Entre os formatos mais comuns estão: leitura silenciosa e individual; leitura em voz alta para os pacientes/leitores; rodas de conversa sobre livros; encontros temáticos com contos, poesias e crônicas; uso clínico complementar em psicoterapia; projetos em hospitais, escolas, bibliotecas e casas de repouso.

Nesses contextos, o texto funciona como ponte para conversas difíceis, memórias e emoções que nem sempre surgem de maneira direta.

Por que faz bem?

A literatura costuma usar linguagem simbólica e metafórica. Isso permite acessar emoções complexas sem confronto imediato.

Muitas vezes, é mais fácil falar de si comentando a dor de um personagem do que expondo a própria dor de frente. Por isso, histórias podem facilitar a verbalização emocional, a reflexão e a elaboração de experiências difíceis.

Outro benefício importante é a sensação de pertencimento. Ao reconhecer sentimentos semelhantes nos livros, o leitor percebe que não está sozinho em suas angústias.

E mesmo quem não gosta de livros pode se beneficiar. A biblioterapia não depende apenas de romances longos ou grandes clássicos. Contos curtos, crônicas, poesia, histórias em quadrinhos e até textos ou narrativas ouvidas em voz alta podem produzir efeitos semelhantes. O importante costuma ser a conexão com a história.

A leitura pode complementar o cuidado psicológico, mas não substitui o acompanhamento profissional quando há sofrimento mental importante.

Ler substitui terapia?

Não. A leitura pode ser poderosa, mas não substitui o acompanhamento profissional em casos de depressão, transtorno de ansiedade, trauma ou sofrimento psíquico intenso. Ela funciona melhor como ferramenta complementar: ajuda no autoconhecimento, oferece conforto e pode ampliar o efeito de processos terapêuticos formais.

Em situações leves de estresse cotidiano, também pode servir como estratégia saudável de autocuidado.

Como começar hoje

Algumas formas simples: reservar 15 minutos por dia para leitura sem distrações; escolher temas que despertem curiosidade genuína; alternar ficção e não ficção; participar de clubes de leitura; anotar frases que provocam reflexão; conversar sobre o que foi lido.

Fonte: Portal UOL, publicado em 27.04.2026.

Como dito acima, a biblioterapia é uma prática terapêutica que utiliza a leitura como ferramenta de apoio ao tratamento convencional da saúde mental.

Os especialistas dizem que a prática da leitura pode trazer benefícios significativos para o bem-estar mental das pessoas.

Aqueles que têm a saúde mental afetada podem optar por livros especializados que tratam do assunto. Os especialistas recomendam não apenas a leitura de livros especializados, mas também de livros sobre assuntos variados; o mais importante é que a pessoa adquira o hábito da leitura, pois os resultados vão aparecer, como a diminuição do estresse e da tensão emocional.

Também é recomendável participar de grupos de leitura on-line e de plataformas digitais que oferecem livros e orientações para a prática da leitura.

Hoje existem bibliotecas e centros comunitários que têm programas e prestam serviços para pessoas que precisam de um tratamento mais humanizado.

O Janeiro Branco, criado no ano de 2014, é um movimento social que coloca a saúde mental como prioridade e precisa ser um compromisso da sociedade, para que as pessoas afetadas possam recuperar seu equilíbrio emocional.

No Maranhão, mais da metade dos municípios não conta com atendimento especializado para o tratamento da saúde mental. Esse tipo de atendimento pode ser realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Entidades como a Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE-MA), a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), o Ministério Público Estadual do Maranhão (MPE-MA) promovem ações sociais de bem-estar para atender seus funcionários, bem como a população mais vulnerável.                                                     

 

Gilmar Pereira Santos é advogado

e escritor de livros infantis.

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