BULLYING E CYBERBULLYING DEMANDAM
AÇÃO
ESTRUTURADA NO AMBIENTE ESCOLAR
Maranhão registra alta nos casos e aumento de provas usadas em processos
O IBGE entrevistou 118.099 adolescentes que frequentavam
4.167 escolas públicas e privadas de todo o Brasil em 2024, sendo a amostra
considerada representativa do universo de estudantes do país.
O quadro preocupante sobre a saúde mental dessa população
inclui ainda 42,9% dos alunos que responderam que se sentem “irritados,
nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa” e 18,5% que pensam sempre, ou na
maioria das vezes, que “a vida não vale a pena ser vivida”.
Três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se
sentem tristes sempre ou na maioria das vezes, de acordo com a Pesquisa
Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Uma proporção semelhante
também revelou que já teve vontade de se machucar de propósito.
Fonte: Portal da Assembleia
Legislativa do Maranhão, 06/04/2026
O Maranhão registrou 2 mil atas notariais utilizadas para
comprovar casos de bullying e cyberbullying em 2025.
O número de documentos cresceu 164% em cinco anos e reflete
o aumento na busca por provas com validade jurídica, de acordo com levantamento
do Colégio Notarial do Brasil. O documento pode ser utilizado como prova em
situações de agressões presenciais e virtuais.
De acordo com os dados, entre 2020 e 2025, o número de
registros passou de 757 para 2.000, o que representa um aumento de 164% no
período. Somente em 2024, foram contabilizadas 1.690 atas notariais em
cartórios de todo o estado.
A ata notarial é um documento público previsto no artigo 384
do Código de Processo Civil. Nela, o tabelião registra fatos que presencia ou
verifica, atribuindo autenticidade e valor jurídico às informações.
Na prática, o documento pode ser usado para comprovar
postagens em redes sociais, mensagens trocadas em aplicativos, vídeos, áudios e
outros registros digitais, permitindo a utilização do material em processos
judiciais e administrativos.
Plataforma online permite registro imediato de provas
Além da ata notarial, outra alternativa para registrar
provas é a plataforma e-Not Provas, que permite ao próprio usuário documentar
conteúdos digitais de forma imediata.
A ferramenta funciona como complemento ao serviço dos
cartórios e pode ser especialmente útil em situações urgentes, como em fins de
semana, feriados ou fora do horário de funcionamento das unidades.
Para solicitar uma ata notarial, o interessado pode procurar
qualquer Cartório de Notas ou acessar a plataforma e-Notariado, disponível em
todo o país.
Durante o procedimento, o tabelião verifica o conteúdo
apresentado, como páginas da internet, mensagens ou arquivos digitais, e
realiza o registro formal das informações, que passam a ter validade jurídica
como meio de prova.
O documento reúne dados como data, hora e local da
constatação, além da identificação do solicitante e da descrição detalhada dos
fatos, podendo incluir imagens, vídeos e transcrições de áudios.
Fonte: G1 MA, 10/04/2026
A Lei Federal nº 14.811/2024 passou a tipificar o bullying e
o cyberbullying como crimes no Código Penal, com previsão de pena de até quatro
anos de reclusão, além de multa.
Bullying é a agressão violenta, verbal ou física, feita com
a intenção de intimidar, ameaçar, tiranizar, oprimir, humilhar ou maltratar
alguém, sendo essa pessoa alvo constante e persistente dessas agressões. Já o
cyberbullying é a violência repetitiva e persistente que ocorre pela internet,
com o intuito de intimidar, humilhar ou maltratar alguém (Fonte: Dicionário
On-line de Português).
A pesquisa do IBGE mostra que meninas são os alvos mais
frequentes. Cerca de 30,1% delas declararam se sentir humilhadas por colegas.
Entre os meninos, o percentual é de 24,3%. Entre as principais causas do
bullying estão a aparência do rosto, do cabelo, do corpo e a raça.
O estudo mostrou que escolas e famílias são as mais
processadas na Justiça por casos de bullying.
A pesquisa do IBGE mostrou também que a Região Sul apresenta
a maior porcentagem de estudantes que declararam não sofrer bullying (61,4%). A
Região Sudeste apresentou a maior porcentagem de estudantes que declararam
sofrer bullying duas ou mais vezes (28,1%). As Regiões Norte (26,6%) e Nordeste
(26,8%) apresentaram porcentagens pouco abaixo da média nacional. Na Região
Centro-Oeste, os percentuais se aproximaram da média nacional, com 27,6%.
Os especialistas dizem que, para combater o bullying, é
muito importante a participação da família para minimizar os danos,
principalmente entre crianças e adolescentes na escola.
Conversar com as crianças é importante para entender o que
está acontecendo. No ambiente escolar, o tema deve ser debatido em conjunto com
professores, funcionários e familiares, devendo o assunto ser abordado com
delicadeza, empatia e oferta de apoio emocional.
O IBGE aponta que 1 em cada 5 estudantes de 13 a 17 anos no
Maranhão já sofreu bullying na escola.
Os dados são alarmantes e precisam ser enfrentados por toda
a sociedade para que esses números diminuam.
Gilmar
Pereira Santos é advogado
e escritor de livros infantis.


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