FILHO DE MARANHENSE
FEZ HISTÓRIA NA COPA DO MUNDO
Preguinho, filho do escritor Coelho Neto, foi o artilheiro e
autor do primeiro gol da seleção brasileira em Copa do Mundo
Com a apresentação da
lista dos convocados para a Copa do Mundo FIFA de futebol masculino (2026),
pelo técnico italiano Carlo Ancelotti, na última segunda-feira (18), o jogador
maranhense Wesley França, nascido em São Luís, atualmente jogando na lateral do
Roma (Itália), independente do desempenho ao final da competição, já escreveu
seu nome no Almanaque do Futebol Brasileiro. Será o primeiro maranhense a
participar de uma Copa do Mundo de futebol de campo profissional masculino
defendendo as cores da seleção brasileira.
Antes dele, três
conterrâneos já haviam participado do Mundial, porém defendendo selecionados de
outros países: Luís Airton Barroso Oliveira (Oliverrá), José Clayton Menezes
Ribeiro e Francileudo Santos. Oliverrá, nascido em São Luís, começou nas
categorias de base do Tupan e foi para a Bélgica ainda jovem. Naturalizado,
disputou a Copa do Mundo de 1998. O também ludovicense Clayton, saiu do Moto
Club para o futebol tunisiano. Naturalizado, disputou dois Mundiais (1998 e
2002), além dos Jogos Olímpicos de 2000. De Zé Doca, Francileudo chegou e saiu
cedo da base do Sampaio Corrêa para o futebol europeu, onde jogou pelo Standard
Liège. Depois encontrou espaço no Étoile du Sahel, da Tunísia. Naturalizado,
disputou a Copa de 2006.
Já no futebol feminino
não podemos esquecer a meio-campista, Ary Borges nascida na capital maranhense
que brilhou na Copa do Mundo de 2023, marcando um hat-trick na partida de
estreia e Tânia Maranhão, ludovicense considerada uma das maiores zagueiras da
história do futebol feminino brasileiro, tendo defendido o Brasil em quatro
edições dos Jogos Olímpicos (1996, 2000, 2004 e 2008) e em vários Mundiais.
Convocados, mas sem a
chance de compor o elenco da seleção numa Copa do Mundo, Mariza Nascimento (São
Luís), zagueira e volante que figurou em convocações recentes para o elenco
principal e para a Copa América, Wamberto (São Luís), ponta-esquerda com sólida
carreira internacional no futebol europeu (especialmente no Ajax) e chegou a
ser cotado e integrado ao ciclo de observações e convocações da Amarelinha e o
lendário Canhoteiro (Coroatá), que embora não tenha tido uma longa trajetória
oficial devido à época em que jogou, é considerado um dos maiores dribladores
da história do futebol brasileiro e chegou a vestir a camisa da Seleção.
Mas o que poucos sabem é
que o sangue maranhense brilhou na primeira Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai.
Preguinho, apelido do carioca João Coelho Neto, filho de Coelho Neto (escritor,
jornalista e professor nascido em Caxias no interior do Maranhão que mudou
ainda criança para o Rio de Janeiro) e da professora de música Maria Gabriela
Brandão Coelho Neto.
O versátil meio-campista
e ponta esquerda canhoto foi capitão, artilheiro e autor do primeiro gol da
seleção brasileira em Copas do Mundo, na derrota por 2x1 na estreia do Brasil
contra a Iugoslávia No jogo seguinte, Preguinho marcou mais dois gols na goleada
brasileira por 4x1 contra a Bolívia tornando-se o primeiro artilheiro
brasileiro em copas.
Além de se destacar nos
gramados, Preguinho era o que a garotada chamaria hoje de “BRABO”! Praticando
com sucesso outras nove atividades esportivas: natação, remo, polo aquático,
saltos ornamentais, atletismo, basquete, vôlei, hóquei sobre patins e tênis de
mesa, detendo 387 medalhas e 55 títulos nessas modalidades.
Seu pai que havia sido um
dos fundadores e dirigentes do tricolor das laranjeiras e autor do primeiro
hino do time, registrou os filhos, como sócios, antes mesmo de nascerem. Sendo
assim, foi natural seu ingresso nas equipes infantis do clube carioca em 1916,
com 11 anos.
Sua estreia como
futebolista ocorreu em 19 de abril de 1925, na mesma tarde, em que havia
conquistado o tricampeonato estadual de natação, na categoria de 600 metros.
Reza a lenda em várias versões que ainda com a medalha no peito, pegou um táxi,
veio de bicicleta ou correndo até o Estádio das Laranjeiras para ajudar o
Fluminense a conquistar o Torneio Início do Rio de Janeiro.
Jogou pelo clube tricolor
entre os anos de 1925 e 1938, sendo um dos grandes ídolos do clube. No
Campeonato Carioca de Futebol de 1930, mesmo ano do Mundial, o Botafogo já era campeão e vencia o Fluminense
por 2x1. Preguinho pegou uma bola do meio de campo e chutou forte, por
cobertura. Um gol igual que Pelé tentou contra a Tchecoslováquia na Copa do
Mundo de 1970.
Ainda no século XXI é um
dos maiores artilheiros do Fluminense, oficialmente com 153 gols marcados,
maior artilheiro do Fluminense no Estádio de Laranjeiras com 79 gols e o
segundo maior cestinha de basquete do clube com 711 pontos anotados.
Após a profissionalização
do futebol, em 1933, Preguinho continuou a atuar de forma amadora, recusando-se
a receber dinheiro do Fluminense, aposentando-se em 1939. Em 22 de janeiro de
1952, Preguinho recebeu o título de "Grande Benemérito-Atleta" do
Fluminense.
Preguinho morreu em 1979,
aos 74 anos, devido problemas pulmonares. Em julho de 2013, recebeu a primeira
homenagem em livro “Preguinho - Confissões de um Gigante”, escrito por Waldir
Barbosa Jr., com colaboração de Waléria Barbosa (SportLivro/Edição do autor),
que conta as histórias de infância, os fatos inusitados de sua trajetória, as
estatísticas de seus gols e jogos pelo Fluminense e claro, um dos momentos mais
difíceis da carreira do atleta, a morte do irmão Emmanuel Coelho Neto
(conhecido como Mano), que também defendeu o Fluminense como atacante e faleceu
precocemente em 1922, vítima de uma infecção generalizada após continuar em
campo com um traumatismo grave para não deixar o time com um jogador a menos.
Exemplos inspiradores de
raça e determinação, um legado deixado por filhos de um maranhense para Wesley
e os demais escolhidos para representar nosso país no Canadá, Estados Unidos e
México a partir de junho.
Marcus Saldanha é escritor, historiador e
jornalista.


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