A ESPOSA

 

i)

foi necessário perder a costela

para entender toda sua ontologia

 

mesmo no desfiladeiro não desisti

aprontei as malas retornei ao círculo

 

nesta turbulência pude entender

os romances de virginia woolf



  

ii)

apesar dos filhos da casa mobiliada

só restou o que não me desgastava

 

esqueci de tudo voltei para casa

abrigo de minha mãe um paraíso

 

não era para ser este destino

vivíamos em rota estrangeira



 

 

iii)

estranho ter que cruzar

com a alma em precipício

 

desconstruir incertezas

apostar o que não podia

 

desprender das perdas

estender cálidas feridas



 

 

iv)

apaguei os rastros

o caos se equilibrou

 

fui criando apego

pela paz interior

 

tudo se cadenciou

o amor revigorado



 

v)

a vida é o entrelaçar

de aparentes dúvidas

 

não crio mais expectativas

só com o que me satisfaz

 

meus olhos agora brincam

como sempre quis



*Este poema faz parte do livro “Odisseia do nada registrado”, publicado pela Editora Penalux-SP, 2020.

 

Bioque Mesito é poeta,

autor de oito livros de poemas publicados.

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