MARANHÃO AMARGA A VICE-LANTERNA NACIONAL

 EM QUALIDADE DE VIDA

      Penalva e Cajari figuram entre os municípios maranhenses mais afetados

pela falta de oportunidades, serviços básicos e inclusão social

O Portal G1 MA publicou, em 20/05/2026, que o Maranhão possui o segundo pior índice de qualidade de vida do país no IPS 2026. No levantamento por estados, o Maranhão ficou atrás apenas do Pará. Os dados são de um ranking divulgado naquela data pelo Instituto Imazon, em parceria com outras organizações.

O estado registrou 57,59 pontos, número considerado abaixo da média brasileira. O cálculo é feito pelo Índice de Progresso Social (IPS), que mede e classifica a qualidade de vida com base em 57 indicadores sociais e ambientais. As informações são provenientes de fontes públicas, como DataSUS, IBGE, Inep e MapBiomas.

Entre as capitais brasileiras, São Luís ocupa a 17ª posição entre aquelas com maior qualidade de vida, com 65,64 pontos. Curitiba (PR) é a capital com melhor qualidade de vida, alcançando 71,29 pontos. Em seguida, aparecem Brasília (70,73), São Paulo (70,64), Campo Grande (69,77) e Belo Horizonte (69,66).

Entre as cidades maranhenses, logo abaixo de São Luís, destacam-se Paço do Lumiar, com 63,06 pontos, e São José de Ribamar, com 62,42 pontos, sendo consideradas as duas cidades com melhor qualidade de vida no estado após a capital.

O estudo aponta que São Luís também apresentou bom desempenho em qualidade de vida, com avanços nas áreas de saúde, acesso à informação e estrutura urbana. Por outro lado, ainda enfrenta dificuldades em áreas essenciais, como o acesso a serviços básicos e a redução da desigualdade social.

São Luís obteve 65,64 pontos e ficou na 663ª posição entre os municípios brasileiros. O melhor resultado da capital foi registrado na dimensão Oportunidades, especialmente no componente Inclusão Social, no qual alcançou a 41ª posição nacional.

Municípios mais vulneráveis concentram dificuldades estruturais

Cidades maranhenses como Peritoró (47,53 pontos), Cajari (47,87 pontos) e Marajá do Sena (47,90 pontos) figuram entre os menores desempenhos do estado e também entre os piores resultados do país.

Entre os municípios brasileiros, Peritoró aparece na 18ª posição entre os que apresentam os mais baixos índices de qualidade de vida. Segundo o levantamento, essas cidades obtiveram resultados insatisfatórios em quase todos os indicadores, especialmente na dimensão Oportunidades, além de apresentarem dificuldades no acesso a serviços básicos e na qualidade de vida da população.

Os dados demonstram uma grande disparidade entre os municípios maranhenses. Enquanto poucas cidades apresentam indicadores satisfatórios, a maioria ainda enfrenta problemas estruturais e profundas desigualdades sociais.

Entenda o que é o IPS Brasil

O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil avalia a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros por meio de 57 indicadores sociais e ambientais. O índice não mede apenas riqueza ou Produto Interno Bruto (PIB), mas busca demonstrar se a população tem acesso a direitos, serviços e condições básicas de vida.

O IPS Brasil é desenvolvido por meio de uma parceria entre o Imazon, a Fundação Avina, a Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a Social Progress Imperative.

A dimensão Oportunidades foi a que apresentou o pior desempenho no país, com média de 46,82 pontos, repetindo o padrão observado nas edições anteriores. Essa dimensão reúne indicadores relacionados a direitos individuais, inclusão social, liberdades pessoais e acesso ao ensino superior.

Os piores resultados foram registrados justamente nos componentes Direitos Individuais (39,14), Acesso à Educação Superior (45,97) e Inclusão Social (47,22). Segundo o relatório, a área de Inclusão Social vem apresentando queda desde 2024, refletindo problemas como violência contra minorias, baixa representatividade política e aumento do número de famílias em situação de rua.

Fonte: Portal G1 MA, publicado em 20/05/2026.

Penalva e Cajari, na Baixada Maranhense, estão entre as piores cidades do Maranhão em qualidade de vida.

Entre os municípios maranhenses com os piores índices de qualidade de vida, após Peritoró, aparece a cidade de Cajari, com 47,87 pontos. Também integram essa lista negativa os municípios de Marajá do Sena, Amarante do Maranhão, Fernando Falcão, São Félix de Balsas, Arame, Montes Altos, Paulo Ramos e Penalva, que registrou 49,55 pontos.

Fonte: Portal Aqui Baixada, publicado em 21/05/2026.

Conforme noticiado acima, os municípios de Penalva e Cajari aparecem na lista entre as piores cidades do Maranhão em qualidade de vida. O IPS Brasil, que avaliou a qualidade de vida nos municípios brasileiros, considera necessidades humanas básicas, como alimentação, saúde, moradia, saneamento e segurança, bem como fundamentos do bem-estar relacionados à educação, ao acesso à internet, à saúde e à qualidade ambiental. As oportunidades também estão ligadas aos direitos individuais, à inclusão social, às liberdades pessoais e ao acesso ao ensino superior.

Penalva e Cajari, que ocupam as últimas posições entre os municípios maranhenses em qualidade de vida, não conseguem atender à população em suas necessidades básicas, de bem-estar e de oportunidades. Não apresentam avanços em indicadores relacionados à educação, à saúde, à segurança e à inclusão social, entre outros.

Entretanto, quando o assunto está relacionado à realização de eventos culturais e à contratação de artistas de renome, nos períodos de Carnaval e São João, notadamente no município de Penalva, o atual gestor alardeia estar promovendo o maior evento festivo do estado do Maranhão.

No artigo “Gestores Públicos: Entre a Vaidade e a Humildade”, o administrador Willyan Kayser da Rosa discorre sobre como a vaidade excessiva pode transformar gestores em figuras arrogantes e distantes da realidade. Nesse contexto, a expressão “pão e circo” funciona como metáfora para a oferta de entretenimento dispendioso com o objetivo de distrair a população e mascarar os problemas reais.

Assim, a vida segue com eventos festivos, enquanto a população permanece privada de suas necessidades básicas.

 

Gilmar Pereira Santos é advogado

e escritor de livros infantis.

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