O DONO DO MUNDO, O RACISMO E O ADEUS DE NEYMAR

      A interferência de Trump, o racismo da senadora Amarilla

e o fim melancólico da trajetória de Neymar na seleção brasileira.

O presidente norte-americano Donald Trump, que se acha o dono do mundo, pediu ao presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA) para anular o cartão vermelho que resultou na expulsão de um jogador de sua seleção. Após criticar a atuação do árbitro, o presidente dos Estados Unidos ainda fez insinuações: "Esse árbitro é um pouco suspeito. Se você verificar o passado dele...", disse.

A partida foi comandada pelo árbitro brasileiro Raphael Claus. O pedido de Trump foi atendido de imediato, e a imprensa esportiva mundial considerou que esse episódio abre um precedente perigoso em plena Copa do Mundo. O presidente Trump, usando seu poder e sendo anfitrião da Copa do Mundo, acha que pode interferir em tudo.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também criticou a decisão e defendeu a integridade do árbitro Raphael Claus. A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) classificou a decisão como "incompreensível e injustificável".

De nada adiantou essa interferência, pois a seleção norte-americana foi goleada pela seleção belga pelo placar de 4 a 1. Ao final da partida, os jogadores comemoraram com a chamada "dança do Trump".

O "soccer", como é denominado o futebol masculino nos Estados Unidos, ainda não evoluiu o suficiente para se sobressair em competições internacionais, mesmo com a presença de astros do passado, como Pelé e Beckham, estrelas em fim de carreira, e, mais recentemente, o argentino Messi, que foram contratados para popularizar o esporte naquele país.

Já o futebol feminino praticado nos Estados Unidos é uma potência mundial, com quatro títulos de Copa do Mundo. O futebol feminino é uma febre entre as mulheres, o que fortalece a modalidade naquele país. Na maioria dos países, o futebol é um reduto tipicamente masculino; nos Estados Unidos, porém, é diferente. A popularidade desse esporte no país é fruto de vários fatores, entre eles a luta pela igualdade de gênero.

O segundo assunto abordado neste texto diz respeito à fala racista da senadora paraguaia Celeste Amarilla na rede social X, onde fez ataques à aparência e à origem de Mbappé após a derrota do Paraguai para a França, afirmando: "Um camaronês colonizado, fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio."

O jogador Mbappé deu o troco e escreveu em sua rede social X o seguinte:

"Senhora Amarilla, você é um ser desprezível e indigno de sua função. Você não representa o Paraguai, um país que demonstrou paixão e honra ao longo de toda a competição. Por causa de sua irresponsabilidade e de seu racismo assumido, o mundo inteiro já esqueceu a campanha e o esforço histórico realizados pelos jogadores paraguaios nesta Copa do Mundo para dar lugar à imagem de uma autoridade incompetente que projeta a pior imagem possível de seu país."

A senadora Celeste Amarilla foi eleita em 2023 para o mandato de 2023 a 2028. Amarilla é conhecida por declarações polêmicas e críticas a adversários políticos.

Mbappé nasceu em Paris, em 1998, e foi criado na periferia da cidade. É filho de pai camaronês e mãe franco-argelina. Foi campeão pela seleção francesa na Copa do Mundo de 2018.

O astro francês é uma figura muito influente nas redes sociais, onde se posiciona contra o racismo e questões políticas. Por esse motivo, tem milhares de seguidores que o admiram por suas posições firmes contra as injustiças sociais.

O terceiro assunto a ser abordado diz respeito ao jogador Neymar, que se despediu da seleção canarinho de forma melancólica. Atuou em duas partidas por poucos minutos. No jogo contra a Noruega, ficou constatado que Neymar estava completamente fora de forma. Para compensar essa deficiência, começou a provocar os jogadores da seleção norueguesa. O Brasil sofreu uma derrota improvável e constrangedora.

Ao término da partida, Neymar saiu chorando e não falou com a imprensa esportiva. Um triste fim para o jogador que foi o mais talentoso de sua geração. Sua convocação foi muito contestada. Era evidente sua decadência nesta Copa do Mundo e sua frustração por não ter conquistado um título mundial.

Com relação a esses três episódios, chego à seguinte conclusão: o presidente Trump acha que é o dono do mundo e que pode fazer o que bem quiser, dependendo de sua vontade e do humor do momento; com relação ao episódio envolvendo a senadora paraguaia e o astro do futebol francês, fica evidenciado que o racismo é uma chaga que mancha a humanidade e precisa ser combatido por todos; e, com relação a Neymar, com suas atitudes dentro e fora de campo, sempre envolvido em polêmicas, constata-se o triste fim de um jogador que foi um gênio de sua geração e que teve um final melancólico nesta Copa.

 

Gilmar Pereira Santos é advogado

e escritor de livros infantis.

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