O QUE
AS MUSAS MOSTRAM?
Os museus existem para ser nosso espelho,
para nos enxergar e nos reinventar diante dele
Eram
nos museus, na antiguidade grega que eram deixadas as oferendas para as musas,
filhas de Mnemosine (Deusa da Memória) e Zeus responsáveis pelas artes e
ciências. Desde a sua origem até os dias de hoje, os museus são lugares de
reflexão, do pensar e principalmente de reconhecimento humano. Toda vez que
estamos perdidos é diante deles que devemos nos enxergar e definir a nova
direção.
Por
isso, ao longo dos tempos os museus foram mudando, se integrando ao espaço das
bibliotecas (Alexandria), ao conhecimento material e enciclopédico
(Iluminismo), transformando-se nos gabinetes das curiosidades ou câmara das
maravilhas guardando objetos exóticos e de arte da nobreza (Renascimento).
Aos
poucos as coleções privadas foram nacionalizadas e abertas a um público maior,
na Inglaterra (Ashmolean Museum) e França (Museu do Louvre) no século XVIII,
até que museus públicos na lógica museológica que conhecemos foram se
multiplicando no século XIX, com a criação de museus nacionais, inclusive no
Brasil para atestar e exaltar a identidade das nações em construção.
E é
exatamente aí, com o início da aproximação do povo com os museus e dos museus
com a população no século XX que surge a Museologia enquanto campo disciplinar.
É um caminho sem volta, dos museus que agora englobam uma tríade entre
profissionais, visitantes e a comunidade ao seu redor.
De um
espaço antigo de acúmulo de objetos antigos sagrados, raros e exóticos para
salvaguarda ou contemplação. De coleção, preservação, exibição, estudo e
interpretação, os museus aos poucos vão assumindo sua função essencial na
atualidade, com as ações educativas nas exposições de seu acervo.
Mas e o
nosso Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM) que comemorou 53 anos de
existência na última terça-feira (28)? Criado no dia 28 de julho de 1973,
exatamente no dia que se comemora a Adesão do Maranhão à Independência do
Brasil, em um solar do século XIX construído pela família aristocrática do Vale
do Itapecuru, Gomes de Sousa.
Hoje
possui um acervo de mais de 10 mil peças englobando os Museus de Arte Sacra e o
Museu de Arte Visuais (anexos), com mobiliário do século XIX, peças de
azulejaria, numismática, vidros, cristais, porcelanas, gravuras, livros, fotos
e documentos raros, arte sacra e arte de origem africana.
Recebe
milhares de visitantes por ano, organiza várias atividades gratuitas como
exibição de filmes, apresentações culturais, palestras, debates e exposições de
artistas locais, além do projeto de visita às escolas e articulação permanente
com o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).
Apesar
de todas as dificuldades e desafios, o MHAM busca se reinventar para ser o
reflexo mais fiel do povo maranhense e a quem ele serve. Um verdadeiro museu
integral. Mas cabe a nós, o reconhecimento e cultivo do sentimento de
pertencimento com esse aparelho cultural, que não pertence ao governante, mas
ao povo.
Assim, diante dele, nosso espelho sagrado das musas, possamos parar, refletir nos reconhecer e avaliar o que somos e o que queremos ser. Exercício fundamental para construção e consciência de uma identidade maranhense e superação da dicotomia de uma memória e história de vencedores e vencidos.
Marcus Saldanha é historiador, jornalista e escritor.



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