O ITAQUI-BACANGA VAI
FERVER AINDA MAIS
COM A III FEIRA DO
LIVRO (FELITA)
Pai do escritor Graça Aranha nascido na região será o homenageado
Carro de som nas ruas,
postagens nas redes sociais, spot rodando nas rádios, só faltou o avião dando
rasante com faixa e som nos ares da capital maranhense. Não, não é o circo,
festa de reggae, seresta e nem baile de funk. Nem promoção de atacadão ou varejo.
Tudo isso, claro é muito legal. Mas estamos falando da festa da leitura para
leitores, é a Feira do Livro do Itaqui-Bacanga que vai acontecer pela terceira
vez em um dos bairros mais efervescente, cultural e inventivo de São Luís.
Tem carnaval com blocos e
bandas (Kambalacho do Ritmo e Pró-Álcool), tem São João com animados arraiais e
Bumba meu Bois de variados sotaques (Bumba Meu Boi Proteção de São João, Bumba
Meu Boi Mimoso do Anjo); tem dança portuguesa (Vira Lusitanos), dança do côco
(Pirinã), quadrilha (Flor de Maracujá), tambor de crioula e terreiros
tradicionais (Seu João da Vila Nova).
Tem ainda o maior
espetáculo de teatro a céu aberto do Maranhão (Via Sacra), grupos teatrais
(Grupo Grita e Grupo Teoria das Artes) e ainda tem o Teatro Itapicuraíba com
programações regulares, tem a Romaria do Trabalhador, tem o Baile de São
Gonçalo, o Festival da Macaxeira (Gapara), o Festival Gospel da Assembleia de
Deus (ABALA).
Tem Cinema (sala de
exibição e cineastas), tem rappers e MCs, cantores, tem poetas, tem clube de
reggae, casa de seresta, emissoras de rádio (Universidade FM e Bacanga FM), tem
jornal (Itaqui-Bacanga), tem museu Estaleiro Escola), Parque Botânico da Vale,
tem Academia de Letras e tem a Feira do Livro. O Itaqui Bacanga culturalmente
um bairro completo.
E é lá, na Praça da
Ressureição, no Anjo da Guarda, a partir desta quinta-feira, 06 de agosto até
domingo (09), onde todo ano Jesus milagrosamente ascende aos céus com
engenhosidade, criatividade e força da comunidade, o ponto de encontro de
escritores, leitores, artistas, estudantes e famílias durante a III Edição da
FELITA, a Feira do Livro do Itaqui Bacanga.
Promovida pela Academia
de Letras e Artes do Itaqui-Bacanga (ALEART) e patrocinada pela Vale, a feira
consolida-se como um dos principais eventos literários comunitários do
Maranhão, reunindo uma programação gratuita voltada ao incentivo da leitura, à
valorização da produção literária maranhense e ao fortalecimento da cultura
local.
Na programação,
lançamento de livros, sessões de autógrafos, rodas de conversa, palestras,
oficinas, saraus, contação de histórias, apresentações culturais, atrações
infantis, exposições, estandes de livreiros, sebistas e instituições locais.
Já faz tempo que uma das
áreas históricas e mais populosas de São Luís, infelizmente muito associado a
violência e pobreza, ferve com um calendário cultural de dar inveja a muitas
“áreas nobres” de São Luís. Talvez seja mais que hora, do ludovicense que insiste
no “apartheid” social, rever seus conceitos e incluir o bairro para além da
estação ferroviária, do Terminal da Ponta da Espera, dos portos e das
indústrias.
A FELITA é sem dúvidas,
uma boa oportunidade para desfrutar a nossa cidade por inteiro.
Patrono – A Edição de
2026 presta homenagem a Temístocles da Silva Maciel Aranha (Patrono da FELITA),
que nasceu no Sítio Maracujá (Vila Maranhão), zona rural de São Luís no dia 08
de agosto de 1837. Estudou no Liceu Maranhense entre 1850 e 1853, iniciou o
curso de Engenharia Civil no Rio de Janeiro, porém não concluiu, devido a
problemas de saúde. Porém, nessa época tornou-se grande amigo de André Rebouças
que foi o primeiro engenheiro negro do Brasil.
Em 1858 fundou o Colégio
de São João Batista. Neste educandário além de diretor era também professor de
português. Atuou também no Liceu Maranhense como professor de Geografia,
Álgebra, Aritmética, Retórica, Geometria e Geometria Aplicada às Artes.
Em 1861, Temístocles
fundou o jornal “O Commercio”. Em 1963, fundou o jornal “O País”. No jornalismo
atuou ainda nos jornais “A Imprensa” e “O Publicador Maranhense”. Foi também
editor, de obras como “O Mulato” de Aluísio de Azevedo.
Na política assumiu em
1869, o cargo de deputado provincial. Recebeu o título de nobreza de Comendador
da Ordem da Rosa. Foi membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro de Lisboa e do Atheneu Maranhense fundado em 1858.
Temístocles foi um
abolicionista fervoroso. Segundo Jerônimo de Viveiros, em um de seus artigos
ele escreveu: “É a escravidão um funesto erro, concordo, é uma planta venenosa
que cresceu no solo da Pátria, concordo ainda; e, finalmente uma mancha no pavilhão
nacional.” (Jornal A Manhã, de 29 de março de 1942).
Embora nascido em São
Luís, o pai do escritor Graça Aranha (autor de Canaã dentre outros) viajava
periodicamente ao povoado Aranha em Arari-MA, onde moravam os seus familiares.
Os Maciel Aranha eram pessoas influentes (majores, coronéis, capitães da Guarda
Nacional, jornalistas e escritores de renome nacional) que detinham um forte
poderio econômico social e político na região.
O professor, jornalista,
editor, abolicionista e comendador Temístocles da Silva Maciel Aranha faleceu
ainda jovem, aos 49 anos, no dia 26 de abril de 1887. Sobre sua morte o
político e escritor Gomes de Castro escreveu: “Inteligência tão robusta, quanto
esmeradamente cultivada.” (Jornal A Manhã de 29 de março de 1942). Segundo
registros históricos, está sepultado na Santa Casa de Misericórdia de São
Luís-MA.
A sua trajetória marcada
pela luta, trabalho e amor pela educação será destacada por meio de uma
exposição especial e exibição de vídeo.
Marcus Saldanha é historiador, jornalista e escritor.


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