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  JULIANA MARINS o grito que o mundo não ouviu   A morte da publicitária brasileira Juliana Marins, de apenas 26 anos, gerou comoção mundial. Ela caiu enquanto percorria uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, e não resistiu à demora no resgate. Uma tragédia que poderia ter sido evitada. Um grito de socorro ecoou no interior do vulcão. Juliana ainda estava viva. Mas o mundo - moderno, tecnológico, supostamente preparado - fez-se de surdo. O pedido desesperado daquela jovem não foi ouvido. E, pior, não foi atendido. Durante cinco dias, Juliana agonizou dentro de uma gruta. Presa, ferida, abandonada. O planeta, com seus satélites, drones e helicópteros, assistiu inerte, sem conseguir (ou querer?) agir a tempo. Faltaram equipamentos. Faltou vontade. Faltou humanidade. Com tanto avanço nas mãos, com tantos recursos à disposição, o mundo fracassou diante da vida de uma jovem mulher que só queria explorar a natureza. O espírito aventureiro de Juliana não teve limites ...
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VASCO a verdadeira história   1. Na época em que O Vasco da Gama foi fundado, 1898, o turfe, o ciclismo e o remo eram as modalidades esportivas que seduziam os jovens na capital da República. D. Pedro II ainda era o regente quando no Brasil surgiram as primeiras agremiações dos esportes náuticos. A sedução pelos esportes náuticos dava-se pela movimentação das elites dos centros urbanos fugindo da insalubridade em busca do ar puro da orla da baía de Guanabara. O mar sugeria saúde em contraponto aos lugares centrais vítimas da sujeira provocada pela contaminação dos esgotos a céu aberto, proliferando epidemias.  Nas 3 primeiras décadas de sua fundação o Vasco tornou-se uma das principais agremiações do remo só vindo a aderir ao futebol em 1915 após sua fusão com o Lusitânia SC, que também nasceu da colônia portuguesa do Rio. Com o nascimento da República as associações desportivas cariocas começaram a se estruturar como times de futebol a partir de 1904. 2. No ano 19...
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EMERGIR OU FICAR NO ABISSAL Impressões sobre o livro “Como se dissesse água”, de Franck Santos   Franck Santos é desses escritores contemporâneos que não quero que falte na minha estante, na cabeceira da minha cama, na mesinha ao lado do sofá, na minha bolsa de viagem. Porque lê-lo é quase um morrer, é quase um viver, é quase um explodir e um implodir ao mesmo tempo; é uma revolução pela qual precisamos passar, se quisermos (sobre)viver. É fazer uma viagem ao nosso próprio interior de maneira única. Sempre que eu leio Franck Santos, eu entro em erupção, viro caos e reflexão, penso nas coisas findas e miúdas e na transitoriedade das coisas vividas. De repente, sou uma mulher de sessenta anos – como a personagem desse livro - em um tempo de catástrofes climáticas, distanciamentos, isolamentos, sentada numa espreguiçadeira no jardim de sua casa, com suas reminiscências, com suas vivências, com as suas indagações sobre o cotidiano, sobre todas as formas do amor e o que é amar, sobre a ...
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  MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA   “Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza” (Clarice Lispector)   MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA é o retrato de uma camponesa pintada por Vermeer e se considera um dos seus mais célebres quadros. A pintura nos comove por vários motivos, mas nenhum deles    avança    em direção ao reino das impressões indescritíveis (que todos temos) em velocidade maior do que a delicadeza que emana de todo o quadro. A mulher não tem um rosto de beleza extraordinária, talvez nem possa ser chamada de bela. O rosto, pequeno, carece de intensidade para chamar a atenção de um olhar desatento. Seus cabelos, cobertos por uma touca, parecem cumprir a obrigação de humildade, coerente com seu destino de moça pobre. No entanto, cabeça virada para trás em direção àquele que a contempla, ela fita demoradamente e continua fitando sem parar como se quisesse contar uma história, a sua história, a história de sua – agor...
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  A POÉTICA MUSICAL DE SÉRGIO HABIBE   Sérgio Habibe é um dos maiores poetas da música do Maranhão. Já bastaria, para essa constatação, o início da sua música Solidão , onde diz: “São raras as estrelas raras / mas a noite já vem / quem me garante que vai ser diferente” . É um daqueles artistas que fazem da própria vida matéria-prima para a arte. Suas canções são como janelas abertas para a cidade, para o mar e para os silêncios que moram dentro de cada um de nós. Filho da lírica poética que existe em São Luís, ele traduz, em acordes e palavras, aquilo que muitos sentem, mas não conseguem nomear. Habibe aprendeu cedo que a música não é só melodia, é espelho, é porto, é travessia. E é curioso pensar que nem foi ele quem procurou a música; foi ela que veio, puxando-o pela mão, como quem chama para uma caminhada sem rumo, mas cheia de descobertas. Assim, ele seguiu, deixando que o som desenhasse seus próprios caminhos. O violão, primeiro desafinado, depois afinado pelo pai...
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  POEMAS MÍNIMOS  impressões de Laura Amélia Damous e Wanda Cunha   As escritoras maranhenses, Anna Liz e Silvana Meneses, lançam o livro Poesia Mínima , que se trata de um diálogo por meio de uma poética minimalista. O livro será publicado pela editora Terra Cultural, gerenciada pelo sr. Kleber Castro, um grande incentivador de autores maranhenses. Sobre essa obra dessas duas poetas, as escritoras Wanda Cunha e Laura Amélia tecem as suas impressões: Poesia mínima é uma obra que de per si traz um primoroso diferencial : reúne duas escritoras maranhenses da literatura contemporânea de grande quilate literário: Anna Liz e Silvana Meneses. A matéria-prima de suas poesias é a emoção das palavras em sua articulação, que tem como mérito alcançar o leitor por meio da sugestão, da influição e da fruição . Abraçando a poética minimalista, as autoras evocam temas como a vida, o amor, a solidão, a nostalgia, a natureza, numa abordagem introspectiva que não exc...