O ESPETÁCULO DO DESCALABRO
Vaidade e Shows Milionários em Municípios em Crise
A Lei nº 14.133/2021 (Lei de Licitações e Contratos
Administrativos) estabelece requisitos de transparência, incluindo a divulgação
de despesas com shows no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e o
detalhamento dos custos.
Diversos projetos de lei já foram apresentados para regulamentar a
contratação de artistas por agentes políticos para apresentações de shows.
Entretanto, nenhum desses projetos surtiu efeito para barrar a
sangria de recursos públicos destinados à contratação desses artistas.
Além disso, o gestor público não precisa de autorização da
Assembleia ou da Câmara Municipal, tampouco está obrigado a divulgar o cachê
que pretende pagar; assim, não existe a menor transparência nesse tipo de
contratação.
Alegar que um evento de apenas um dia pode gerar emprego e renda é
uma utopia — um verdadeiro absurdo. Esse argumento cai por terra por motivos
óbvios. Quero entender o que se passa na cabeça do gestor público que embarca
nessa onda de contratar artistas de renome a peso de ouro, sendo que a maioria
das cidades é deficitária nos programas de assistência social de seus
munícipes.
O portal UOL noticiou, em 9 de agosto de 2025, que o DJ Alok,
principal atração dos Festejos do Povo no município de Cocal (Piauí), teve seu
contrato cancelado — o cachê firmado era de R$ 800 000,00 (oitocentos
mil reais). O evento ocorreria entre os dias 11 e 14 de agosto do corrente ano.
A decisão liminar foi
proferida atendendo a pedido do Ministério Público do Piauí; a cidade, com
população de 28. 212 habitantes,
acabara de sair de estado de calamidade financeira e apresenta deficiência na prestação de serviços públicos e na gestão de débitos judiciais.
Nesse caso, o Ministério Público do Piauí, como fiscal da lei, agiu
de forma eficiente para anular o contrato com DJ Alok e o Município de Cocal.
Quando o Ministério Público não atua, o cidadão pode recorrer ao
poder Judiciário com uma Ação Popular, justificando os motivos para anular o
contrato. A Ação Popular é uma ferramenta cidadã de defesa do interesse público
— um instrumento jurídico que permite a qualquer cidadão combater atos lesivos
ao patrimônio público, inclusive anular contratos públicos prejudiciais aos
cofres públicos.
O administrador público Willyan Kayser da Rosa, em seu artigo
“Gestores Públicos, entre a Vaidade e a Humildade”, comenta as influências e
consequências do excesso de vaidade ou da falta de humildade que acometem
gestores públicos; observa que a vaidade tende a ser o pior defeito de um
líder. Ao ganhar uma eleição, o empoderamento é quase instantâneo; o excesso de
vaidade torna o gestor arrogante, impulsivo e prepotente”.
O consultor Mauro Nunes Pereira, em seu artigo “O Poder autoritário
dos Gestores Públicos Estraga Gerações na Velocidade dos Interesses e Vaidades
Pessoais dos Governantes de Plantão”, afirma que “melhor ou pior, o governo
torna-se alheio ao cotidiano das pessoas, tendo a impressão de que a vida seria
melhor sem governantes. E que, a despeito deles, a vida continua. Contudo, com
tanto horror, a vida não prossegue em brancas nuvens. É preciso que todos
compreendam e façam autocrítica.”
Nesse caso, a metáfora “pão e circo” se encaixa perfeitamente —
expressão que remete à Roma Antiga, quando o imperador usava comida e
entretenimento para distrair a população e mascarar a realidade.
O gestor público ocupante de cargo temporário que insiste nesse
tipo de contratação de artistas pratica um descalabro — um tapa na cara da
sociedade.
Gilmar Pereira Santos é escritor de livros infantis
A questão não é ter ou não o evento, mas ser coerente com a situação de cada município, não há bom senso em pegar as verbas escassas para esse tipo de atividade, se há inúmeras outras prioridades. Enfim, o povo não deve aceitar e procurar barrar esse tipo de situação, preservando o dinheiro público para o bem comum.
ResponderExcluirÓtima crítica social! Dr Gilmar sempre com ótimos textos.
ResponderExcluirConcordo plenamente
ExcluirAnálise perfeita, muito bem Gilmar
ExcluirExcelente! Repito, Excelente
ResponderExcluirNossos municípios carecendo de investimentos em saúde pública, segurança, edução e saneamento básico, mas a população e os órgãos de fiscalização fecham os olhos para esses novos formatos de “showmícios”milionários!
ResponderExcluirMuito bom Gilmar..
ResponderExcluirPerfeita análise dos fatos!
ResponderExcluircertíssimo
ExcluirO evento realizado em nosso município movimentou a economia local e trouxe a oportunidade para diversos pais de família, o que é um ponto positivo. No entanto é importante que esse tipo de iniciativa não se limite apenas a momentos pontuais. Precisamos de políticas públicas permanentes que garantem de forma contínua, valorizando ainda mais nossa população e fortalecendo o desenvolvimento da nossa cidade.
ResponderExcluirÓtimo, muito bom Gil.
ResponderExcluirO texto é uma aula de cidadania contra a ação crjminosa dos gestores municipais, em atitudes irresponsáveis voltadas para rapinagem dos cofres públicos. O Além disso, concita o cidadão a atuar, através das Ações Populares, para combater essa picaretagem, em auxílio ou na omissão do MP. Parabéns, Dr. Gilmar, por sua ação efetiva em favor dos interesses do povo.
ResponderExcluirMuito assertivo, ainda no sec XXI ainda vivenciamos a política do pao e circo.
ResponderExcluirMuito pertinente a sua colocação diante dos fatos, trouxe ainda mais clareza para o assunto.
ResponderExcluirExcelente parabéns
ResponderExcluirBelíssimo artigo meu nobre amigo Dr. Gilmar. Já pensei em escrever sobre o assunto e merece que cada cidadão se manifeste. O descalabro está por todos municípios dos grandes, médios e pequenos. Virou uma verdadeira farra em nome de promover a cultura e o turismo, até em municípios que não tem a mínima vocação. O MP precisar está mais atento, pois a farra acontece para desviar recursos, devido a abertura que a lei 14.133/21 e a anterior 8n666/93 permite, pelo princípio da discricionariedade e pela contratação ser de cunho artístico e intelectual. Assim os gestores deitam e rola. E festa de padroeira, aniversário da cidade, cavalgada, festa pecuária, festa do quiabo, da melancia e tudo mais que se possa imaginar.enquanto isso, tem municípios que gasta 2 , 3 milhões e não tem nem 50 por cento de saneamento básico etc.
ResponderExcluirMuito bom, meu amigo. Você, como sempre, muito sensato em suas colocações.
ResponderExcluirShow de bola ☺️ maravilhoso 👏 fera demais 👏
ResponderExcluirMuito bom a Dr Gilmar 👏👏👏
ResponderExcluirDr vc é fonte de inspiração pra todos nós glórias a Deus , Deus continue lhe abençoando em nome de Jesus
ResponderExcluirO melhor do Maranhão
ResponderExcluirEsse discurso que os políticos estão usando que investir em artistas nacionais pra fazer esses shows muitos caros alavanca a economia local é papo furado, quem tá lucrando muito é fábrica de cerveja estrangeiroa.
ResponderExcluirUma colocação sensata 👏🏻
ResponderExcluirBem pertinente essa sua crítica Dr Gilmar! Deve haver um bom senso com o uso das verbas públicas, tendo em vista que há prioridades a investir como: saúde, saneamento básico, educação e segurança.
ResponderExcluirConcordo plenamente, parabéns mais uma vez!
ResponderExcluirBelíssimo artigo Dr. Gilmar, análise perfeita sobre o tema! 👏🏻👏🏻👏🏻
ResponderExcluirMuito bom, dr Gilmar!
ResponderExcluirExcelente análise Dr Gilmar, questionar esses abusos é um direito de tod@ Cidadão(ã) que se preocupa com a destinação dos impostos que todos nós pagamos.
ResponderExcluirTexto muito necessário com informações importantes para a população se conscientizar dos seus direitos e usar o seu poder a seu favor.
ResponderExcluirExcelente Dr. Gilmar, parabéns.
ResponderExcluirBrilhante artigo.
ResponderExcluirJá se passou quase 09 nove anos e aqui vivemos no mesmos causos, as contratações milionárias com show continuam, o quanto os deveres sócias temos dificuldades de alcançar, principalmente no que é um bem paratodos nos, que é a saúde públicas. Quando há casos mais sérios recorremos outros municípios, mas festas não pode faltar.
ResponderExcluirExcelente, Gilmar. Vc sempre tem uma leitura perfeita
ResponderExcluirUm texto muito pertinente, que nos leva a refletir sobre as prioridades da gestão pública
ResponderExcluirDr Gilmar Pereira, sempre muito lúcido e coerente em seus textos. Parabéns!
ResponderExcluirConciso, lúcido e pertinente. Gilmar Pereira tem nos brindado, na crônica social, com mestria semelhante a que costuma demonstrar em suas obras de poesia.
ResponderExcluirShow milionário em cidade quebrada não é cultura, é deboche com o povo. Enquanto falta saúde e educação, sobra vaidade em quem deveria governar com responsabilidade. O espetáculo dura uma noite, mas a conta sobra por anos.
ResponderExcluirAssim como bem lembra o escritor maranhense Gilmar Pereira Santos em suas obras, a literatura tem o poder de revelar a realidade do povo, suas dores e suas esperanças. Quando olhamos para esse espetáculo de descaso com os recursos públicos, percebemos ainda mais a importância de vozes como a dele, que valorizam a cultura genuína, sem precisar de holofotes milionários para existir.
Uma dissertação clara e objetiva sobre o momento atual em que nos regozijamos e aplaudimos nossa própria ignorância por assistimos ao vivo e "de graça" artistas nacionais que enchem o bolso em apenas 1 ou 2 horas de show com o dinheiro dos cofres públicos que poderiam ser investidos na cultura do conhecimento, do bem cuidar, enfim na qualidade de vida dos cidadãos. Parabéns senhor Gilmar pelo excelente artigo!!!!
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